Nelson Azevedo Costa, 41 anos, é uma das pessoas que está tentando retornar da cidade para o campo, através da ocupação de terras organizada pelo Movimento dos Sem-Terra. Ele é de família de agricultores, mas foi para a cidade há alguns anos. Trabalhou como operador de máquinas e motorista de caminhão em grandes empresas, como Anderson Clayton e Sesb, mas o desemprego o fez voltar para o campo. ‘‘A gente tem que viver. Tenho três filhos e só me resta a agricultura’’, desabafa.
Ele reconhece que entre os sem-terra de Tamarana há muita gente que morou na cidade: ‘‘Mas o desemprego está grande. As pessoas não têm mais para quem apelar’’. Como a maioria dos sem-terra que participaram da nova ocupação em Tamarana, Nelson vive há cerca de seis meses em acampamentos do MST.
Wilson Roberto Correia, 40 anos, conta que o barraco na fazenda Três Lagos é o sexto que ergue em apenas seis meses. ‘‘Eu não aguento mais. O Incra tem que ser mais rápido nesta reforma agrária.’’ Ele mora com a mulher e dois filhos, de 12 e 11 anos e veio da região de Faxinal, onde era arrendatário. Wilson deixou a propriedade onde morava porque considera ‘‘injustiça’’ dar 70% da produção para o dono da terra. ‘‘Não dava para pagar as minhas dívidas.’’
O sem-terra conta que desde que veio para os acampamentos de Tamarana trouxe um saco de semente de vassoura para plantar. ‘‘A vassoura dá um rendimento rápido. Mas eles (fazendeiros) não deixam a gente plantar e então a gente fica passando necessidade.’’
Juraci Camargo, 30 anos, também tem um saco de semente de milho aguardando para plantio. ‘‘Mas eles não liberam a terra’’, lamenta. Juraci é da região de Tamarana e está acampado com a mulher e um filho de nove anos.
Arnaldo Santana, coordenador do grupo, diz que as famílias estão passando dificuldade. Afirma que os sem-terra não têm comida, trabalho ou leite para as crianças e faz um apelo para que as autoridades municipais ou do governo mandem assitência médica e alimentos.
(Adriana De Cunto)

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