Voltar ao campo é a alternativa
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terça-feira, 03 de dezembro de 1996
Da Redação 
Nelson Azevedo Costa, 41 anos, é uma das pessoas que está tentando retornar da cidade para o campo, através da ocupação de terras organizada pelo Movimento dos Sem-Terra. Ele é de família de agricultores, mas foi para a cidade há alguns anos. Trabalhou como operador de máquinas e motorista de caminhão em grandes empresas, como Anderson Clayton e Sesb, mas o desemprego o fez voltar para o campo. A gente tem que viver. Tenho três filhos e só me resta a agricultura, desabafa.
Ele reconhece que entre os sem-terra de Tamarana há muita gente que morou na cidade: Mas o desemprego está grande. As pessoas não têm mais para quem apelar. Como a maioria dos sem-terra que participaram da nova ocupação em Tamarana, Nelson vive há cerca de seis meses em acampamentos do MST.
Wilson Roberto Correia, 40 anos, conta que o barraco na fazenda Três Lagos é o sexto que ergue em apenas seis meses. Eu não aguento mais. O Incra tem que ser mais rápido nesta reforma agrária. Ele mora com a mulher e dois filhos, de 12 e 11 anos e veio da região de Faxinal, onde era arrendatário. Wilson deixou a propriedade onde morava porque considera injustiça dar 70% da produção para o dono da terra. Não dava para pagar as minhas dívidas.
O sem-terra conta que desde que veio para os acampamentos de Tamarana trouxe um saco de semente de vassoura para plantar. A vassoura dá um rendimento rápido. Mas eles (fazendeiros) não deixam a gente plantar e então a gente fica passando necessidade.
Juraci Camargo, 30 anos, também tem um saco de semente de milho aguardando para plantio. Mas eles não liberam a terra, lamenta. Juraci é da região de Tamarana e está acampado com a mulher e um filho de nove anos.
Arnaldo Santana, coordenador do grupo, diz que as famílias estão passando dificuldade. Afirma que os sem-terra não têm comida, trabalho ou leite para as crianças e faz um apelo para que as autoridades municipais ou do governo mandem assitência médica e alimentos.
(Adriana De Cunto)


