O Terminal Urbano de Transporte Coletivo de Londrina é conhecido pelo aglomerado de gente. Por dia, são 157 mil usuários que passam pelo local. Na parte inferior, situada na Avenida Leste-Oeste, fica o ponto de parada do Corujão, responsável pelo transporte principalmente de funcionários de casas noturnas e jovens que voltam da balada. A reportagem da FOLHA acompanhou a rotina dos usuários e motoristas em uma madrugada.
São garçons, cozinheiras, caixas e manobristas de estacionamento, entre outros trabalhadores que utilizam o serviço, que existe há 15 anos e funciona em oito linhas. Um deles é José Antonio de Souza, que pode ser considerado um ''veterano no ramo de garçom e no Corujão''. Prestes a completar 70 anos de idade e com 50 anos de bandeja, ele conta que gosta de voltar para casa de ônibus. ''Sempre andei pela madrugada, desde os 20 anos, e nunca tive carro. Eu gosto de andar é de Corujão'', revela, aos risos. Passageiro da 406, que atende os Cinco Conjuntos (Zona Norte), ele segue satisfeito para casa na única linha que atende a região e que circula a cada uma hora.
Nos trajetos restantes, a frequência de horários é dividida em períodos de duas em duas horas. Esse é o principal problema elencado por boa parte dos usuários ouvidos pela reportagem. Marcela Carvalho Onorato precisou levar sua filha Adriana, dez anos, no Pronto Atendimento Infantil (PAI) na madrugada de sábado. Seu problema maior foi na hora de voltar. ''A linha 102, que passa perto da minha casa, só sai daqui 2h30 da manhã e agora é 1h10 ainda. Vai ser mais de uma hora esperando.''
Jade Rodrigues dos Santos, que trabalha como auxiliar de cozinha na Zona Sul e mora em Cambé, também reivindica ônibus em horários mais frequentes. Como ela deixa o trabalho à meia-noite e meia, exatamente quando sai o último ônibus, tem que esperar até 2h30, horário do primeiro Corujão. Meia hora depois ela chega em casa. ''Eu vou dormir toda noite depois das 3h30. O problema é que eu saio do trabalho três horas antes'', enfatiza.
De acordo com Wilson de Jesus, diretor de Transportes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), a ampliação do horário das linhas depende da reivindicação formal dos usuários. Mas o principal critério é a demanda. ''Não dá para comparar o movimento noturno com os outros horários, mas na medida que há um desconforto é direito do usuário reivindicar'', alega.
No Terminal não há seguranças de madrugada. Quem cuida dos pequenos delitos normalmente são os próprios funcionários da Empresa Transportes Coletivos Grande Londrina e da CMTU. Uma pessoa apenas para vigiar o local, segundo os funcionários, ajudaria a coibir pequenos furtos e, quem diria, casais que usam o banheiro para fazer sexo. ''Aqui aparecem uns engraçadinhos que ao invés de ir para o motel resolvem vir no banheiro'', afirma um deles.
A situação era ainda mais crítica antes da instalação do sistema de câmeras de segurança. Segundo a CMTU, existe um sala reservada à Polícia Militar dentro do Terminal, onde há um policial de plantão. De acordo com o tenente Ricardo Eguedis, porta-voz da PM, como o soldado responsável pelo local também atende as ocorrências gerais da Região Central, o posto fica desguarnecido durante alguns horários.

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