Voltando de ônibus na madrugada
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Renato Oliveira<br>Equipe da Folha 
Londrina - O Terminal Urbano de Transporte Coletivo de Londrina é conhecido pelo aglomerado de gente. Por dia, são 157 mil usuários que passam pelo local. Na parte inferior, situada na Avenida Leste-Oeste, fica o ponto de parada do Corujão, responsável pelo transporte principalmente de funcionários de casas noturnas e jovens que voltam da balada. A reportagem da FOLHA acompanhou a rotina dos usuários e motoristas em uma madrugada.
São garçons, cozinheiras, caixas e manobristas de estacionamento, entre outros trabalhadores que utilizam o serviço, que existe há 15 anos e funciona em oito linhas. Um deles é José Antonio de Souza, que pode ser considerado um "veterano no ramo de garçom e no Corujão". Prestes a completar 70 anos de idade e com 50 anos de bandeja, ele conta que gosta de voltar para casa de ônibus. "Sempre andei pela madrugada e nunca tive carro. Eu gosto de andar é de Corujão", revela.
Nos trajetos restantes, a freqüência de horários é dividida em períodos de duas em duas horas. Esse é o principal problema elencado por boa parte dos usuários. Marcela Carvalho Onorato precisou levar sua filha Adriana, dez anos, no médico na madrugada de sábado. Seu problema maior foi na hora de voltar do Pronto Atendimento Infantil (PAI). "A linha 102, que passa perto da minha casa, só sai daqui 2h30 da manhã", queixou-se.
Caso parecido é o de Jade Rodrigues dos Santos, que trabalha como auxiliar de cozinha do Mercado Guanabara, na Zona Sul, e mora em Cambé. Ela conta que tem medo que esperar o ônibus na Avenida Leste-Oeste, por isso prefere ficar dentro do terminal. Há pouco mais de 15 dias, ela viu um rapaz ser assaltado nas redondezas. "Isso me deixou muito assustada", confessou.
Ela reivindica ônibus em horários mais freqüentes. Como ela deixa o trabalho à meia-noite e meia, exatamente quando sai o último ônibus, sempre tem que esperar até 2h30, horário do primeiro Corujão. O transtorno só termina meia hora depois, quando chega em casa. "Eu vou dormir toda noite depois das 3h30. O problema é que eu saio do trabalho três horas antes", enfatiza.
De acordo com Wilson de Jesus, diretor de Transportes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), a ampliação do horário das linhas depende da reivindicação formal dos usuários. Mas o principal critério é a demanda. "Não dá para comparar o movimento noturno com os outros horários, mas na medida que há um desconforto é direito do usuário reivindicar", alega.
No terminal não há seguranças trabalhando de madrugada. Quem cuida dos pequenos delitos normalmente são os próprios funcionários da Empresa Transportes Coletivos Grande Londrina e da CMTU. Uma pessoa apenas para vigiar o local, segundo os funcionários, ajudaria a coibir pequenos furtos e, quem diria, casais que usam o banheiro para fazer sexo. "Aqui aparecem uns engraçadinhos que ao invés de ir para o motel resolvem vir no banheiro do terminal", afirma um dos funcionários.
A situação era ainda mais crítica antes da instalação do sistema de câmeras de segurança, quando jovens invadiam o local para consumir drogas. A presença de vândalos querendo entrar sem pagar a passagem também diminuiu, segundo os funcionários. Segundo a CMTU, existe um sala reservada à PM dentro do Terminal, onde há um policial de plantão. De acordo com o tenente Ricardo Eguedis, porta-voz da PM, como o soldado responsável pelo local também atende as ocorrências gerais da região central, o posto fica desguarnecido durante alguns horários.


