Volta às ruas
Até a metade do mês passado, Cleide era uma das vedetes do modelo de assistencialismo desenvolvido pela Prefeitura de Curitiba. Levada ao Canadá para contar sua experiência de rua na Conferência de Internacional sobre a Exploração Sexual Infantil, a adolescente, de 16 anos, está hoje novamente na rua, morando num mocó - conhecido como o mocó do Macaquinho.
Há três anos na rua, mesmo tendo uma casa e família, Cleide diz que viver no mocó é uma boa opção. Apaixonada por um rapaz, que vive junto de Macaquinho, a menina largou todas as perspectivas e fez sua opção. Voltei para a rua, por causa do amor que tenho pelo meu namorado, conta, acrescentando que ali está a sua família.
Cleide foi à cidade de Victoria, no Canadá, junto com outra menina de rua. As duas eram as únicas representantes do Paraná, que foram contar suas experiências junto com outras representantes de 20 países americanos. As meninas foram indicadas pela unidade onde viviam para relatar suas experiências de vida na rua. Elas receberam, até mesmo, um curso intensivo de inglês, para que pudessem conversar com as outras meninas sem o auxílio dos tradutores.
Com base no depoimento das jovens, e de outras de diferentes países, foi criada uma declaração que pedia incremento da educação como forma de lutar contra a exploração sexual de crianças e adolescentes. Esse documento vai servir como base para mostrar as formas de trabalhar com as crianças, sendo distribuído a outros países americanos, através do Unicef, entidade da Organização das Nações Unidas (ONU) para a infância e adolescência.





