Volta às aulas na UEL foi tranquila
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segunda-feira, 11 de março de 2002
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Cerca de 15 mil alunos - 13 mil de graduação e 2 mil de pós-graduação - voltaram as aulas, ontem, na Universidade Estadual de Londrina (UEL). A sensação foi de alívio, mas também de preocupação entre os estudantes. Para os comerciantes e ambulantes, o clima é de otimismo.
Os alunos terão que repor os 55 dias de aula que perderam durante os 169 dias de greve dos servidores e professores das universidades estaduais. As categorias estavam reivindicando reposição salarial. A expectativa do reitor Pedro Gordan é que até o dia 22 de maio todos os cursos terminem a reposição das aulas para o término do ano letivo de 2001. O ano letivo de 2002 só deverá começar em 22 de junho. E o vestibular, que deveria ter ocorrido em janeiro, vai ser realizado entre 29 de abril e 3 de maio.
Para as estudantes do 3º ano do curso de administração Juliana Farina Lima, de 24 anos, Elzira Mariane Guides, de 26 anos, e Fabiane Madeiros, de 23 anos, a preocupação é com a qualidade do ensino durante a reposição dos dias parados. O calendário está muito apertado e tem muita matéria do ano passado para ver. Acho que vai faltar tempo para todo o conteúdo e o prejuízo é para os alunos, porque o ensino não vai ter a mesma qualidade, disse Elzira. É como se a gente começasse o semestre do zero de novo, e o conteúdo que foi dado antes da greve terá que ser revisado, afirmou Juliana.
Para o professor de direito civil Adauto Tomaszewski, a falta de aulas deverá se refletir no Provão organizado pelo Ministério da Educação. Foi um prejuízo enorme e temo que isso apareça no resultado do Provão. Agora, cada professor terá que ter muita criatividade para contornar a situação e conseguir ministrar o conteúdo num período curto de tempo, observou. Inegavelmente não é a mesma coisa, mas alunos e professores estão retomando as atividades com entusiasmo, acrescentou o professor.
Entre os mais animados com a volta às aulas estão os comerciantes e ambulantes da universidade. Graças a Deus acabou a greve, é um alívio. Foi horrível ficar parada. Tive um prejuízo de R$ 400,00 só com as coisas que estragaram, disse a ambulante Santina Camillo, que há 25 anos trabalha na UEL.
Na cantina do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa), o movimento foi bom, segundo o gerente Agenor Carneiro Carvalho. Os alunos voltaram com a corda toda, disse.


