Volta às aulas congestiona o trânsito
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segunda-feira, 28 de julho de 1997
Cristine Pieske 
Curitiba
Albari RosaIrregularKombi que transporta alunos do Colégio Martinus interrompe a Rua Almirante Barroso e complica ainda mais o trânsitoO primeiro dia letivo do segundo semestre trouxe de volta também o caos no trânsito curitibano. Ontem, dia em que retornaram às aulas os alunos da maioria das escolas particulares, o contingente de carros em circulação aumentou 20%, com aproximadamente 118 mil veículos a mais nas ruas de Curitiba. A situação fica ainda mais complicada nos horários de entrada e saída das escolas, que coincidem com os períodos de pico do tráfego.
Nem mesmo as medidas adotadas pelo Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), que desloca diariamente cerca de 45 policiais para organizar o tráfego de veículos e pedestres em frente às escolas, têm conseguido contornar o problema. A colocação de cones de sinalização para separar as pistas das ruas próximas aos colégios, facilitando o embarque e desembarque de estudantes, tem provocado diminuição no número de acidentes envolvendo crianças. Mas os engarrafamentos típicos destas regiões, no entanto, continuam complicando a vida de pais, mães e moradores de locais próximos às escolas.
Leandro TaquesCalçada da Rua 13 de Maio, perto do Anjo da Guarda, virou estacionamentoA situação é mais grave nas ruas próximas ao Colégio Bom Jesus, na Avenida Visconde de Guarapuava, no Colégio Positivo Júnior, no Bairro Champagnat, e no Colégio Martinus, que divide o caos com a Escola Anjo da Guarda, ambas no Bairro São Francisco. Ali, a proximidade com a trincheira da Rua Treze de Maio e a sinalização insuficiente das áreas próprias para a espera dos alunos vêm provocando acidentes frequentes, principalmente o engavetamento de veículos. Alguns pais chegam a cometer infrações de trânsito - como estacionar em cima da calçada, por exemplo - limitando ainda mais as condições de tráfego de carros e pedestres.
Albari RosaPM orienta tráfego na Rua Carlos Cavalcanti, perto do MartinusA professora e psicóloga Marilza Bertassoni, com especialização em Fobia de Trânsito, afirma que muitas vezes já pediu que sua filha voltasse da escola de táxi, na tentativa de fugir dos engarrafamentos e possíveis acidentes. O mesmo objetivo faz a professora acordar, todos os dias, meia hora mais cedo para tentar escapar do rush escolar. Ela afirma gastar mais de 30 minutos para percorrer apenas quatro quadras nas proximidades da Pontifícia Católica do Paraná (PUC/PR), onde dá aulas no período da manhã. É um teste diário de autocontrole e boa direção, diz a psicóloga.
Marilza acredita que o momento de buscar os filhos na escola tem se tornado, nos últimos meses, um exercício de competitividade. É uma verdadeira disputa para ver quem consegue pegar seu filho primeiro, o que parece motivar práticas pouco comuns de comportamento, afirma a psicóloga. Ela diz que várias vezes já presenciou discussões graves de trânsito nas ruas de acesso à Escola Anjo da Guarda, onde sua filha cursa a 5ª série.
O representante comercial Carlos Motta e sua mulher, Adriana Motta, contam que tentam sair do trabalho com 10 ou 15 minutos de antecedência para apanhar seus filhos sem ter de sofrer. Quando não conseguem se antecipar às confusões de trânsito, preferem retardar o momento de ir até a escola. É preferível deixá-los esperando um pouco a enfrentar os grandes engarrafamentos, comuns nos horários de saída das escolas, afirmam.
Além de recomendar o uso de horários alternativos para apanhar os filhos no colégio, o BPTran pede que os pais evitem parar em filas duplas e que sejam rápidos no momento de embarque e desembarque. Um minuto parado em fila dupla interrompe o fluxo de centenas de outros veículos, diz uma das campanhas do BPTran, recomendação que nem sempre costuma ser obedecida pelos motoristas curitibanos.


