A manutenção de animais silvestres em cativeiro, sem autorização de órgãos ambientais, é crime. O responsável é punido com multa e responde a processo criminal. Já as vítimas da atividade irregular devem ser devolvidas à natureza. Para isso, é necessário um período de readaptação, com acompanhamento de profissionais como biólogos e veterinários. Nem todos os exemplares, no entanto, podem voltar ao meio ambiente, sob risco de não sobreviverem.
Um dos principais destinos dos animais recolhidos na região de Londrina é o Bosque Municipal, conhecido como Parque das Aves, em Apucarana (Centro-Norte). O espaço de 28 mil metros quadrados abriga hoje perto de 150 animais, das mais diferentes espécies: araras, tucanos, macacos, jabutis, siriemas, entre outros.
Alguns dos ''hóspedes'' do bosque são temporários. Ficam apenas o tempo necessário para receber tratamento veterinário e ser preparados para uma possível soltura. A biológa Mirna Sandra de Santis, responsável pela instituição, explica que alguns animais chegam em estado grave, por serem vítimas de maus tratos.
Dias atrás, dois macacos pregos chegaram e um deles estava machucado e com um pedaço de corrente no pescoço. Um jabuti bastante machucado também foi recepcionado pela equipe do bosque recentemente. Após receberem curativos, os animais passam por uma tentativa de readaptação ao ambiente. No caso do macaco acorrentado, Mirna descarta a soltura. ''Eu gostaria, mas ele não tem condições de voltar para a natureza. Tem problemas de adaptação e para aceitar a liderança num grupo. Com certeza, não se adaptaria'', lamenta a bióloga.
As aves encaminhadas pela Polícia Ambiental ou pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) ficam em viveiros por um período de quarentena. A medida é tomada para evitar contaminação de outros animais. O ideal, no entanto, é fazer a soltura o mais rápido possível. Cada vez que um animal volta à natureza é feito um termo de devolução para controle dos órgãos ambientais. As gaiolas são imediatamente destruídas. O cuidado não impede, porém, algumas baixas. Quando o exemplar morre é encaminhado ao laboratório do bosque para necropsia.
O estagiário Fábio André Ross, 25, estudante de Biologia, ajuda no trabalho de recuperação dos animais. É o caso de um falcão quiriquiri recolhido há oito meses pela Força Verde em Apucarana. Machucado, não tem condições de voltar ao seu habitat. Passa, no entanto, por tratamento com o intuito de ter ''melhores condições de vida.'' ''É comum recebermos aves com a asa quebrada ou cortada'', lamenta.

mockup