Londrina

Dorico da SilvaSegunda tentativaEmpresários e políticos reunidos na Acil: reestudo do Metronorte Enquanto tramita na Assembléia Legislativa um projeto que cria a Região Metropolitana de Londrina (RML), envolvendo apenas seis municípios, empresários, políticos e outras lideranças retomaram, ontem, uma antiga discussão sobre a possibilidade de integrar todas as cidades entre Londrina e Maringá numa grande Região Metropolitana do Norte do Paraná (Metronorte).
O encontro de ontem, realizado na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), decidiu pela formação de um grupo de trabalho com representantes de Londrina e Maringá - que vai definir os detalhes da criação de uma organização não-governamental (ONG) -, pela promoção de um seminário de integração regional e, também, pelo reestudo do Projeto Metronorte, elaborado há mais de 10 anos, visando a integração econômica, política e social das cidades compreendidas no trecho entre Londrina e Maringá. A reunião na Acil contou com a presença de empresários, políticos e representantes de entidades dos dois municípios.
O projeto de lei em discussão na Assembléia é de autoria do deputado Eduardo Trevisan (PTB) e oficializa a integração que, em muitos setores, já existe na prática entre Londrina, Cambé, Ibiporá, Jataizinho, Rolândia e Tamarana, uma RM que nasceria com mais de 630 mil habitantes, quase 3 mil indústrias e mais de 12 mil estabelecimentos comerciais.
Durante o encontro de ontem, o assessor jurídico da Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim) e membro do Conselho de Desenvolvimento de Maringá (Codem), Paulo Roberto Pereira de Souza, reforçou a necessidade da integração entre os municípios, traçando uma comparação entre os investimentos feitos e o desenvolvimento alcançado pela Região Metropolitana de Curitiba.
‘‘Hoje a geopolítica do Paraná está desequilibrada. Vemos a concentração brutal de investimentos em Curitiba, que está colhendo os frutos plantados nos últimos 30 anos’’, disse Pereira de Souza, ex-reitor da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Para ele, somente com a união econômica e política será possível garantir ‘‘vantagens comparativas’’ entre os municípios da faixa compreendida em Londrina e Maringá e os da Região Metropolitana de Curitiba.
Entre os participantes do encontro ficou claro que a característica da individualidade dos municípios precisa ser quebrada, para garantir a sobrevivência da região. São necessárias ações e integração na prática, como a que já ocorre no setor do transporte coletivo intermunicial entre Londrina, Cambé e Ibiporã (leia na matéria ao lado). Pereira de Souza defendeu um planejamento regional integrado, discussão da capacidade de suporte de mercado regional e o planejamento como instrumento de ação administrativa, deixando de lado o enfoque local. ‘‘Também precisamos discutir com o governo, com agentes financeiros, créditos diferenciados para negociação.’’ Atualmente, disse Souza, essas vantagens são desfrutadas apenas pela região de Curitiba.
O representante do Grupo Promotor de Desenvolvimento Regional (GPDR), Voldmir Maistrovicz, lembrou da existência de recursos federais que poderiam estar sendo investidos na região mas que estão ‘‘brecados’’ por falta de projetos específicos para regiões metropolitanas. ‘‘São cerca de R$ 800 milhões’’, diz Maistrovicz. O GPDR entende como necessária a criação de um banco regional para atender as 13 aglomerações urbanas existentes nos 120 quilômetros que ligam Londrina e Maringá.
O presidente da Acil, Abílio Medeiros, lembrou que uma de suas metas, ao assumir a direção da entidade, era a integração regional. ‘‘Esse é o caminho para Londrina e também para o Norte do Estado resgatar a sua força política, econômica, cultural e social.’’
Medeiros explicou que o grupo de trabalho vai definir as ações que serão debatidas durante um seminário. Também deverá fazer o reestudo do projeto do Metronorte, elaborado há mais de 10 anos, e que faz parte do memorial da Universidade de Londrina. ‘‘O projeto não foi concretizado por uma série de problemas e está no Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU) da UEL’’, disse Medeiros.
Também participaram da reunião representantes da Associação dos Municípios do Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Instituto de Desenvolvimento Regional de Maringá, UEM, Sociedade Rural do Paraná, Prefeitura de Londrina, Sindicato da Construção Civil (Sinduscon) e Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel).

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