Voçoroca causa transtornos em Florestópolis
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quarta-feira, 23 de junho de 2004
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Florestópolis Uma voçoroca gigante engoliu a cabeceira e o traçado da Estrada das Laranjeiras, que ligava a cidade de Florestópolis (73 km ao norte de Londrina) à Fazenda Candiolinda, à margem do Rio Capim. A fenda, de um quilômetro de extensão e que em alguns pontos chega a ter cerca de oito metros de profundidade por cinco de largura, está impedindo o acesso à cidade dos donos das chácaras que margeiam a via. O pior é que a erosão não pára de avançar e está a poucos metros do perímetro urbano do município.
A proprietária rural Esmeralda de Souza Rocha, dona do Sítio Boa Esperança, é a maior prejudicada pela situação que, segundo ela, já perdura por três anos. ''A prefeitura deixou de fazer a contenção da enxurrada e o problema só aumentou. Tive um prejuízo de R$ 2 mil porque o buraco engoliu os palanques de aroeira que cercavam a propriedade'', conta Esmeralda.
As atuais condições da estrada que hoje mais se parece um leito de rio seco e cheio de lixo doméstico obrigaram a sitiante a trilhar um caminho paralelo ao traçado original. Isto implicou na compreensão do vizinho, que cedeu a passagem para Esmeralda escoar sua produção de hortaliças e leite. Mas o grande volume de chuvas de junho fez a voçoroca crescer e estreitar também a passagem alternativa.
Além de ameaçar a área plantada à margem da via, a voçoroca se tornou um risco de acidente para crianças, principalmente à noite, de acordo com o presidente do Conselho Tutelar, João dos Santos. ''Tivemos um caso de soterramento em uma erosão dentro da cidade. Faz algum tempo mas não podemos esquecer disso'', lembra.
O carpinteiro Geniro Ferreira disse que presenciou um acidente com um cavalo. Enquanto o rapaz que montava escapou da queda, o animal não teve a mesma sorte e caiu no buraco. ''Não foi fácil tirar o bicho daí'', recorda-se Ferreira.
A Folha constatou que a área não está cercada e nem há sinalização para alertar sobre os riscos na escuridão.
Além de afetar o tráfego na malha viária rural, a voçoroca está provocando danos ambientais à região. Quando chove forte, a enxurrada leva lixo e provoca assoreamento no Rio Capim, dois quilômetros abaixo da cabeceira da erosão. A lâmina de água se reduziu tanto que é possível fazer sua transposição caminhando.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) informou à Folha que ainda não foi registrada nenhuma denúncia sobre o caso. Segundo o funcionário do IAP, José Carlos dos Santos, em casos semelhantes as prefeituras buscam solução através da inspeção de técnicos do órgão e da Emater.
O promotor de Porecatu (comarca que abrange Florestópolis), Custódio Aparecido Pereira, disse que visitou o local com o prefeito Olívio Ivan Rodrigues (PSL) depois que foi comunicado informalmente sobre o problema. Segundo Pereira, o prefeito apresentou um projeto de recuperação da área. ''Se o problema não for resolvido, o Ministério Público poderá tomar algumas medidas de sua atribuição'', esclareceu.


