A sua vida já virou do avesso em algum momento e você se pegou pensando em um plano B? Imprevistos acontecem, seja na vida profissional ou pessoal. Nestes momentos, possuir um plano de contingência possibilita liberdade de escolha quanto aos caminhos que deseja trilhar. E nem sempre ter uma opção em mente representa estar preparado para o pior. Às vezes, trilhar uma rota alternativa é uma escolha de vida, um sinônimo de liberdade contra tudo o que não se gosta de fazer.
Do mar para a terra. Ex-velejador da classe Hobie Cat, pentacampeão brasileiro e com um título norte-americano, o piloto da Stock Car Valdeno Brito encontrou no automobilismo a realização profissional. ''Costumo dizer que nasci com gasolina no sangue. Meu pai tinha uma empresa de ônibus e sempre foi fã de automobilismo. Comecei a correr quando tinha cinco anos naquelas pistas de autorama'', recorda Brito, que mora em Londrina.
Porém, a trajetória de um dos mais competitivos pilotos das categorias nacionais de turismo teria tudo para passar longe das pistas de corrida. Brito nasceu na Paraíba, estado distante dos grandes centros do esporte a motor e até hoje desprovido de um autódromo. Além disso, a carreira sofreu um hiato de seis anos (entre 1998 e 2004) devido à falta de patrocinador. ''Cheguei a trabalhar como revendedor de automóvel, mas não era feliz. O automobilismo é o que eu sei e gosto de fazer, mesmo sabendo que é um esporte caro e de risco'', afirma.
Brito conta que desde que comprou o primeiro kart, em 1993, sentiu que tinha afinidade com as pistas. A carreira de velejador ainda foi levada concomitante à de piloto por alguns anos, mas dificuldade financeira e a falta de reconhecimento da modalidade no Brasil o fizeram desistir. A partir de 2004, quando ingressou na Stock Car, Brito viu sua carreira deslanchar. O ápice ocorreu em agosto do ano passado, quando venceu a ''Corrida do Milhão de Dólares''.
Competindo pela RCM Motorsport, de Curitiba, o piloto figura em quarto lugar na Copa Nextel Stock Car e tem como meta a conquista do seu primeiro título na categoria. A trajetória está longe do fim. ''Estou com 35 anos. Pretendo correr até os 50'', revela. Consciente de que a carreira de esportista é curta, Brito já começa a engendrar um plano C, investindo em construção.

Decisão de risco
Aos 15 anos, um teste vocacional apontou que o futuro jornalista Roberto Camargo tinha afinidade com a área de Comunicação Social. Porém, a escolha já estava feita: seria engenheiro agrônomo. Na década de 80 Camargo ingressou em uma das mais renomadas faculdades de Agronomia do país, a Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz'' (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP). ''Já ali percebi que gostaria de lidar com gente'', relembra. De 1986 a 91 ele trabalhou como agrônomo, inclusive com passagens por multinacionais. Mesmo assim, afirma, o sentimento de incompletude o dominava.
A oportunidade de perseguir o seu ideal surgiu com trabalhos na área de Educação. A especialização em Comunicação Popular e Comunitária na Universidade Estadual de Londrina (UEL) foi o divisor de águas, e onde Camargo vislumbrou a possibilidade de atuar na área de comunicação educativa. Certo do que o colocaria na rota da felicidade, ele decidiu, em 2008, aos 45 anos e pai de dois filhos adolescentes, encarar, pela segunda vez (já havia cursado um ano de Jornalismo em 2001), o concorrido vestibular da UEL.
Mesmo antes de concluir o curso Camargo já possui experiência como educomunicador e estagia na Rádio Universidade FM, onde desenvolverá projetos de produção de mídia. ''É uma decisão de risco, mas sinto que é o momento. Sempre aspirei à mudança, mas não sabia como planejá-la, além de temer o abandono de uma situação estável e pesar a responsabilidade familiar. ''O novo é revigorante. Estou com a energia de quem está começando uma carreira e desejando ansiosamente que as coisas aconteçam'', assegura.

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