Você tem medo de quê?
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quinta-feira, 24 de abril de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Sabe aquela sensação de que a fila ao lado anda mais rápido, seja no supermercado ou no banco? Ou quando os carros que trafegam pela faixa da direita estão mais rápidos e você decide mudar de pista, mas o movimento pára de repente? Quem nunca pensou ter esquecido o ferro de passar roupa ligado ou o gás aberto e voltou para checar? Ou trancou a porta de casa ou do carro diversas vezes só para garantir? Essas pequenas manias, quando exageradas, podem se tornar fobia.
De um jeito bem humorado, o escritor inglês Tim Lihoreau criou nomes de origem latina para manias que ele classificou como fobias modernas e publicou o livro ''Você tem medo de quê?'' Entre as fobias classificadas pelo inglês estão a Agmenofobia, medo de entrar na fila errada, Vaporfobia, medo de ter deixado alguma coisa ligada, Inanofobia, medo de ser colocado na espera telefônica, Medicamerafobia, medo de salas de espera de consultórios e a Fortunofobia, medo de que seus números saiam na loteria se você não jogar.
O autor propõe ainda outras esquisitices como a Perecibufobia, medo de fazer pedidos de cardápios estrangeiros, e, acreditem, Magnafundafobia, medo de que o bumbum pareça grande com certa roupa.
Para a costureira Otília Borges, as fobias modernas existem e todo mundo tem uma. ''Estava quase chegando no ponto de ônibus, mas tive que voltar para conferir se tinha fechado a porta de casa direito'', conta. ''Conheço muita gente que tem medo de elevador, que não sobe em escada rolante'', comenta a esteticista Geni Moura. A auxiliar de serviços gerais Gilversina Santos sempre pede ajuda para utilizar o caixa eletrônico e tem medo de ficar presa dentro do elevador. ''É a falta de costume'', justifica. Para ela, assim como para a dona de casa Marina Cunha, é difícil quem não tem medo de algo. ''Eu tenho costume de fechar toda a casa antes de sair e verificar se tudo ficou bem trancado. Não saio sem fazer este ritual'', confessa Marina.
A doutora em psicologia clínica Denise Tinoco Ela explica que não existe o que podemos chamar de fobia moderna. ''A fobia é o medo exagerado e fantasioso e remete à defesa da própria espécie'', diz. Para ela, o medo pode estar ligado aos instintos básicos do ser humano, a sexualidade ou agressividade, ou a situações traumáticas. ''A fobia está ligada aos nossos desejos e medos, à nossa própria história, e normalmente causa sentimento de culpa.''
Conforme Denise, o medo do desconhecido faz parte da espécie humana. ''É comum idosos terem medo de usar computador ou caixas eletrônicos porque é uma tecnologia que não faz parte da história deles. Alguns até têm reações corporais, que caracterizam a fobia.''
Grande parte dos fóbicos teme e até tem vergonha de admitir o medo, reforça Denise. Para ela, a cura está no tratamento da causa e não do símbolo. ''O indivíduo se defende de algo que deseja, que esconde de si mesmo, por isso a fobia gera culpa.'' Segundo ela, no fóbico, a reação de luta e fuga é intensa e o organismo libera muita adrenalina. ''O medo em excesso fragiliza o sistema imunológico e pode causar também tensão muscular, dores no corpo, por isso requer tratamento'', completa.


