Rodrigo Palmeira Gonçalves tem 13 anos e como todo garoto está passando pelas famosas transformações hormonais da adolescência. Uma fase comum da vida de qualquer jovem, mas que não seria tão conturbada se ele não fosse autista. Já aos três anos Rodrigo apresentava problemas na fala, chorava muito e quando o pai saía de casa, tornava-se agressivo. ''Fiquei preocupada quando ele começou a girar em torno de si mesmo'', relembra a mãe, Edinalva Ferreira Palmeira Gonçalves. Morando em São Paulo, ela procurou um neuropediatra, que ao realizar um eletroencefalograma descobriu que Rodrigo sofria convulsões.
E foi na escola, aos cinco anos, que o menino foi diagnosticado autista. Depois de passar por algumas instituições, o garoto passou a ser atendido no Centro Ocupacional de Londrina (COL). ''Quando surgiu o Centro, tudo melhorou. Ele tem mais disciplina, já sabe escovar os dentes, apagar a luz, fechar a porta do banheiro, mas o autismo dele é severo e ele ainda tem surtos'', confessa Edinalva, alertando para o despreparo dos médicos ao conversar com as famílias sobre autismo. ''É um tema totalmente desconhecido.'' Ela lembra que a falta de amparo aumenta o sofrimento das famílias.
Referência no tratamento do autismo no município, o COL conta com uma equipe multidisciplinar que usa um método diferenciado para ensinar os portadores de transtorno global de desenvolvimento: ''Somos a única escola em Londrina a usar o método norte-americano Teacch, baseado no uso de figuras para estimular a comunicação entre os autistas, que são indivíduos visuais e não verbais'', explica a diretora, Angela Denise Henrique Cavalhero.
Conforme ela, atualmente, 23 alunos autistas, com idades entre três e 23 anos, são atendidos em quatro turmas administradas por um professor e um assistente, sendo que cada aluno recebe um atendimento individual antes de realizar atividades sozinho. ''Cada estudante tem uma agenda visual individualizada, com um roteiro próprio, e passa por avaliações constantes, que culminam em dados para o gráfico de desenvolvimento do aluno'', completa Angela.
Ela relembra que as aulas para autistas começaram há dois anos, com apenas uma sala e oito alunos, e que o serviço é gratuito e bancado com recursos da Prefeitura e do governo estadual. Todos os alunos são matriculados com diagnóstico fechado de autismo, mas são avaliados por psicólogo e pedagogo. Eles têm aulas de educação física, música e artes, além de acompanhamento médico. A escola ainda possui um sistema de informação visual para facilitar o trânsito do aluno austista na instituição, que também atende portadores de deficiência mental.
Segundo a diretora, todos os profissionais recebem capacitação específica para atuar com autistas e o Centro ainda oferece cursos para equipes de outras escolas de Londrina. ''Falta mão de obra no município, mas não é difícil obter informações sobre a síndrome, principalmente na internet, onde há sites interessantes, com relatos de pais. Mas creio que ainda há pouco interesse das escolas em trabalhar com autistas'', opina Angela.
Psicóloga do Centro Ocupacional, Viviane Vernillo dos Santos descreve o autista como um indivíduo detalhista e metódico, que dependendo do grau de autismo que possui, pode ou não se tornar independente. ''Falta informação do que é a síndrome. Muitos ainda pensam é uma pessoa que só fica sentada, chacoalhando.''
Para a psicóloga Adriana Von Stein, que também atua no COL, cuidar de autistas ''é trabalhoso, mas é funcional, pois você vê resultado. Se comprar a ideia e trabalhar bastante, a terapia funciona.''

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