A rotina é igual para a grande maioria. Acordar, escovar os dentes, tomar café da manhã, ir para o trabalho, almoçar, voltar para casa, tomar banho, assistir televisão e dormir. O que nem todo mundo sabe é que cada atividade do dia a dia é potencialmente poluidora e contribui para o aquecimento global. E que é possível reduzir ou neutralizar as emissões de carbono e outros gases, contribuindo para a qualidade de vida em todo o planeta.
Por isso, o mercado de neutralização de carbono está em franca expansão em todo o mundo. Em Londrina não é diferente. Consultores especializados em fazer o cálculo da quantidade de carbono produzida pelas diferentes atividades - e as formas de reduzir ou neutralizar as emissões - têm atendido uma clientela cada vez mais diversificada. Empresas, escolas, eventos, municípios. Qualquer um pode contratar uma consultoria e ter conhecimento de quanto contribui para o aquecimento global. E principalmente o que fazer para evitar e reduzir as emissões.
A forma mais comum de neutralizar o carbono é o plantio de árvores. Não basta, porém, colocar a muda na terra. Para que a planta realmente passe a captar o gás carbônico e libere o oxigênio na atmosfera, por meio do processo da fotossíntese, é preciso que atinja certa idade. Por isso, além de calcular a quantidade e plantar, as empresas especializadas devem acompanhar o desenvolvimento dos exemplares. Este, pelo menos, é o ideal.
Mas como é possível saber quantas árvores são necessárias para neutralizar cada atividade? A resposta está em metodologias relativamente complicadas, que indicam a quantidade de carbono equivalente produzida e o número de exemplares que precisam ser plantados. O cálculo leva em conta todo tipo de poluição gerada até a capacidade de captação de gás carbônico de cada tipo de árvore.
Por isso, consultores e ONGs de Londrina estão optando por diversificar as espécies escolhidas. E por indicar o plantio em locais em que o reflorestamento vai trazer benefícios além do combate ao efeito estufa, como a recomposição de matas ciliares. É o caso do projeto Na Pegada do Parque, que tem como objetivo ligar o Parque Arthur Thomas ao Rio Tibagi por meio de um corredor ecológico com o plantio de 500 mil mudas.
O diferencial, de acordo com o biólogo Pedro Jardim, é que o local é protegido, o que reduz o risco de perda das mudas. E porque o plantio é feito por uma equipe especializada, que faz o preparo correto do solo, com espaçamento e coroamento (proteção da planta) adequados. E a opção por espécies nativas resulta também em outros benefícios: ''Vai garantir a sustentabilidade dos mananciais, porque vai proteger o rio contra a erosão e a poluição por agrotóxicos. E as espécies nativas vão trazer para aquele ambiente animais que se alimentarão daqueles frutos e poderão se desenvolver e se multiplicar aqui'', explica. Para Jardim, tão importante quanto a redução e neutralização é a criação de uma cultura de consciência ambiental dentro das corporações.

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