'Você faz a diferença na vida da criança'
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quinta-feira, 30 de agosto de 2018
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
A equipe do programa Guarda Subsidiada Acolhimento Familiar, da Prefeitura de Londrina, realizou na sexta-feira (24) uma roda de conversa com membros das famílias acolhedoras. São elas que acolhem mediante guarda provisória crianças e adolescentes afastados de seus responsáveis por medida de proteção. A conversa foi mediada pela psicóloga do programa, Marcia Tokita, e contou com a presença de famílias cadastradas e de pessoas interessadas em participar.
Para Albertina ( nome fictício), participar do projeto está sendo gratificante. "Achei que ia dar amor para a criança, mas é ela quem está dando muito mais amor para a gente. Está sendo muito bom, uma experiência nova", ressaltou. Ela revelou que ao ficar sabendo do programa se interessou, mas surgiram muitas dúvidas. "Fiz o cadastro, mas tinha medo e insegurança de eu estar com o bebê em algum lugar público e alguém da família me abordar. Perguntei e o pessoal do programa me explicou que eu tenho a guarda da criança e que eu poderia chamar eles a qualquer momento, se isso ocorresse. Eles estão sempre de plantão", destacou.
O que a motivou a participar do programa é que sempre gostou de crianças. "Tenho cinco filhos e nove netos. Quando ouvi que existiam bebês precisando de acolhimento, não pensei duas vezes e me candidatei. Estou muito feliz em dar um pouco do meu tempo para participar do projeto." Ela observou que o fato de ser mãe e avó ajudou muito a cuidar da criança. "Mudou a rotina de minha casa. A família já era unida e agora ficou mais ainda. Dividimos as tarefas. Quando a gente precisa sair às vezes ela fica com a minha nora e às vezes fica com a minha irmã", explicou.
"Fico feliz por ela estar bem. Ela está crescendo e a gente sente que é uma criança alegre. As pessoas perguntam como vou agir na hora de entregar a criança. Meu filho até questionou se eu não iria ficar doente na hora do desacolhimento. Eu respondi que não, porque quando acolhi a criança já sabia que esse momento chegaria", argumentou. Ela ressaltou que o importante é que nesse momento a criança precisa de carinho. "É isso que eu procuro dar. Eu espero que a família que for recebê-la depois de mim dê esse mesmo carinho que ela precisa", apontou.
Outra participante da roda de conversa é Lívia (nome fictício). "Eu me motivei, porque já tive parentes e filhos de amigos que moraram comigo. Eu gosto de fazer isso. Conheci o projeto, fiz a capacitação e agora faz um mês que estou acolhendo uma criança. Os três primeiros dias foram os mais difíceis, porque a criança estava assustada. Ela veio de uma situação complicada, mas agora está bem tranquila, se adaptou bem", relatou. Ela vê com satisfação a evolução dela. "Ela não conseguia dormir e agora está calma, tranquila. Ela também não conseguia abraçar a gente e nem conversar. Agora faz isso. É muito satisfatório e gratificante ver como tudo mudou", destacou.
Ela ressaltou que não há nada que pague essa sensação. "O sentimento é de que você está fazendo a diferença na vida dessa criança. A gente trabalha para o futuro dela ser melhor. Ela pode voltar para a família ou pode ser encaminhada para adoção e isso vai dando angústia, mas ao mesmo tempo a partida dela significa que sua vida está tomando um rumo e isso nos deixa muito feliz. A gente está se conformando que o futuro dele vai ser diferente e você participou disso", argumentou.


