Você conhece a história da rua onde mora?
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terça-feira, 29 de maio de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Quem quer prosperidade costuma visitar o Conjunto Ruy Virmond Carnascialli, na Zona Norte de Londrina. Lá também é lugar de bondade, fartura, irmandade, sorte. Mas se o negócio é apelar para o divino, só mesmo na Vila Fraternidade, na Zona Leste. Lá se encontram Santa Rita, Santa Bárbara, Santa Margarida.
Quer ouro ou aço, procure-os no Jardim São Francisco de Assis, na Zona Oeste. Lá também é possível visitar outros planetas, no Jardim do Sol. Até Plutão, que já não é mais planeta, se esconde por ali. Mas se o que você quer é passear por países europeus, caminhe pelo Jardim Igapó, na Zona Sul.
Para morar no Conjunto Newton Guimarães, na Zona Norte, não é preciso ser costureira, garçon, eletricista ou artesão, mas tem um monte destes por lá, onde também é comum os pássaros perambularem entre o Conjunto Violim e o Jardim Paraíso. Já as árvores preferem fincar raízes no Jardim Leonor (Zona Oeste). Café do bom é no Residencial do Café (Zona Sul) e pedra preciosa se acha no Parque Waldemar Hauer (Zona Leste).
Se não entendeu nada, não se preocupe. Pouco sabemos mesmo sobre os nomes das ruas e bairros de Londrina. Sentimentos, santos, planetas, países e profissões, pássaros, árvores, preciosidades e até cientistas dão nome às ruas da cidade. Pioneiros e moradores pé-vermelhos também são homenageados ao redor do município.
A família Burani, por exemplo, dá nome a três ruas no Jardim Padovani, na Zona Oeste. O pai, Hermínio Burani, a mãe, Ana Zoandoná Burani, e o filho, Rubens Murani, foram homenageados pelo vereador Flavio Vedoato em novembro do ano passado. Cláudio Burani, um dos 12 filhos do casal, recebeu as placas comemorativas e um livreto com a biografia dos parentes.
''Nunca esperava, gostei muito, foi muito bom'', resumiu o comerciante que mora no Jardim Pisa. No dia da homenagem, Claudio plantou um pé de limão no quintal de casa como recordação. ''Meu pai trabalhava na roça, foi administrador de fazenda e no fim da vida tocava uma lavoura de café'', rememorou o comerciante.
''Vivemos a vida toda no Limoeiro e como era mais perto, meu pai me registrou em Ibiporã. Mas como todos os meus irmãos, nasci em Londrina'', recordou Claudio. Dos 12 irmãos, apenas oito ainda estão vivos e ''espalhados entre Paraná e São Paulo''.
A pequena biografia de Hermínio e Ana Burani, que preenche duas das páginas do livro Ruas, Praças, Avenidas e Prédios Públicos do Município de Londrina, elaborado pela Câmara Municipal, conta que ele nasceu em 1913, em Tietê, e ela em 1912, em Itaí, interior paulista. Casados, estabeleceram-se em Londrina em 1946, inicialmente na Fazenda Frazer, onde Hermínio trabalhou como administrador. O casal morou no Limoeiro até 1955, quando mudou-se para o Sítio Albier, próximo à Pedreira Cafezal, e em 1983, radicou-se na Vila Casoni. Hermínio faleceu em 1982, aos 69 anos. Já Ana morreu cinco anos depois, aos 74 anos.
O filho do casal, Rubens Burani, nasceu em Londrina em 1948. Era casado e tinha três filhos. Trabalhou como agricultor até 1988, no Sítio Albier, onde vivia com os pais. Mudou-se para o Limoeiro, onde morou até falecer, em 1990, aos 41 anos. Segundo o irmão, hoje, a esposa e os filhos de Rubens vivem em Lins, no interior de São Paulo. ''Pedi a uma colega que recebesse a placa em nome da família dele no dia da homenagem'', disse Claudio.


