Você acaba criando um mundo e vive só para isso
Kraw PenasJosinei: rodeio e bar country no interior de SP quando sair da prisãoJosinei Lemos da Silva, 32 anos, tenta se ocupar para esquecer a realidade da prisão, que já dura sete meses. Ele estuda, joga futebol, trabalha no cafezinho, pensa no futuro e, principalmente, conta os dias para a visita da mulher no domingo. Se você ficar sozinho, acaba criando um mundo aqui e daí vive só para isso. Afinal, não tem nada para pensar no futuro.
A mulher de Silva, Gilsemara, de 31 anos, não falta a uma visita. Às vezes, leva junto a filha mais velha, Andressa, de 14 anos. As menores Natasha, de 6 anos, e Pietra, de 2 anos, vão ao presídio uma vez por mês para matar as saudades. Digo a elas que o pai está no hospital.
Gilsemara procura incentivar Silva, mas o dia-a-dia não é fácil para nenhum dos dois. Silva diz que tudo lembra lá fora: filmes, futebol e shows na televisão. A família não reclama, mas teve que deixar a vida em Itararé (SP) e se mudar para Curitiba depois da prisão. Além disso, perdeu a figura do marido e do pai. Ele faz falta em todos os sentidos, diz Gilsemara.
Até o final do ano, Silva pretende deixar a cadeia. O primeiro plano é casar com Gilsemara, com quem está junto desde que tinha 15 anos. Aqui dentro, a gente pára para pensar, então, decidi fazer o pedido de casamento, diz. Gilsemara quer casar de véu e grinalda.
Depois da liberdade, o casal também pretende voltar para o interior de São Paulo. Silva tem um sonho especial: voltar a participar de rodeios e montar um bar country. Ele quer me deixar cuidando de uma mercearia, enquanto ele se diverte num barzinho, diz Gilsemara. (A.C.)





