''Estamos de olho em você''. O você da frase, estampada num cartaz no Jardim Mediterrâneo (Zona Sul de Londrina), pode ser qualquer pessoa que se aproxime da localidade. E o sujeito oculto, que vigia o bairro, é a própria vizinhança, que se uniu para tentar garantir mais segurança. A saída encontrada foi a cooperação e a implantação do projeto Vizinhança em Alerta.
A arma de cada morador é simples, mas pode mostrar-se bastante eficiente no caso de flagrantes de ocorrências ou presença de suspeitos nas proximidades: um apito na mão de cada colaborador para chamar a atenção dos vizinhos. Até hoje, essa carta na manga não precisou ser usada.
A vigília barulhenta, porém, não é a única forma escolhida pelos moradores para aumentar a sensação de segurança. A principal é o comprometimento de cada vizinho com a vigilância do bairro. Além disso, os moradores da rua têm os telefones de contato uns dos outros para ajudar nas eventualidades.
O resultado é uma tranquilidade incomum para um bairro de cidade grande. As crianças brincam na rua, em especial no horário de verão, sempre sob os olhos atentos da comunidade local. A contratação de empresas de segurança privada, é claro, também ajuda.
Antes do projeto ser colocado em prática, os arrombamentos - e até ocorrências mais graves - eram comuns. Para o idealizador da inciativa, o dentista Aldo Pedalino, a melhoria na sensação de segurança é resultado do ''envolvimento da comunidade.''
Esse envolvimento também é destacado pelo designer Rubens Roque da Silva Ferreira, que vive há 12 anos no bairro. ''A cooperação entre os vizinhos é o mais importante. E eu nunca vi isso em bairro nenhum'', comenta. Para a dona de casa Denise Aparecida Ferin Volpini, a distribuição de cartazes pelo bairro pode servir como uma forma de intimidar possíveis ações de criminosos. Ela comenta que, como a rua dela é sem saída, as crianças podem até brincar na rua, mas sempre sob os olhos atentos de um dos vizinhos. ''Se tem qualquer movimento estranho, os outros são avisados imediatamente'', diz.
''A tendência hoje é que as pessoas vivam no isolamento. Com o projeto, os vizinhos passaram a ficar mais atentos uns com os outros'', comenta Pedalino. No início, cerca de cinco meses atrás, a comunidade teve uma conversa informal com a Polícia Militar e recebeu orientações e dicas de segurança.
''Essa desmobilização das comunidades ainda é resultado do tempo da ditadura militar, que considerava que quanto mais desunidas fossem as comunidades, melhor. Se cada rua tivesse uma mobilização assim, seria uma maravilha'', ressalta o dentista.

mockup