Curitiba - Em pelo menos uma rua de Curitiba, os moradores não se incomodam com o barulho. Na verdade, quando soa a sirene, sentem-se mais seguros. O que poderia ser algazarra, é um sistema de segurança desenvolvido pelos moradores da Rua Neuza de Fátima Ferreira, no Pinheirinho. A intenção é se prevenir contra a insegurança que ronda as ruas da Capital. Os moradores adotaram o alarme conjunto contra invasões, roubos e furtos. Em Londrina, iniciativa semelhante foi adotada há três anos no Jardim Mediterrâneo.
Com um kit que custou R$ 25 para cada um, os moradores instalaram em todas as casas uma sirene voltada para a rua. Nas residências, um interruptor, acionado pelo morador que percebe algum sinal de perigo, dispara o alarme. O som é o alerta e todos contribuem em uma barulhenta rede de prevenção contra o crime. Faixas espalhadas em vários pontos da via avisam ''Esta rua é monitorada 24 horas''.
Das 40 casas da rua, 37 já possuem o sistema. Para o instrutor de auto-escola Ronaldo Pereira, que desenvolveu o alarme, a idéia é alertar que alguém da comunidade corre perigo. ''Se eu vejo um suspeito passando pela rua ou alguém invadindo uma casa, disparo o alarme de dentro da minha. Os outros, ao ouvirem o som, fazem o mesmo. Depois, é só ligar para polícia'', explica. O acordo entre a comunidade faz barulho e intimida os bandidos.
Criado há cerca de um mês, o sistema simples já se mostra eficiente, diz Pereira. ''Hoje, nem catador de papelão passa mais na rua. Está uma calmaria. Bom demais'', alegra-se. Os bons resultados já começaram a espalhar a idéia. O boca-a-boca e o assédio da imprensa faz com que a criação ganhe popularidade. Outras ruas da região já se preparam para inaugurar seus próprios sistemas.
''No final de semana, sempre tínhamos problemas com assaltos e furtos. Todos tinham medo. Depois que o sistema foi instalado, nenhuma casa sofreu tentativa de roubo'', assegura o operador de máquinas Sérgio Farias.
O representante comercial Antônio Marcelo Machado acionou o alarme de sua casa para uma demonstração. Logo, outro morador também acionou em outra casa. A ligação sonora é a garantia de que a segurança chegou pelas mãos dos próprios moradores. Machado já teve sua casa furtada. Na ocasião, os bandidos levaram aparelhos eletrônicos e roupas. Agora, acredita que a barulheira vai intimidar assaltantes. ''Sozinho, todo mundo tinha medo de enfrentar uma situação de perigo. Agora, é só apertar um botão'', afirma.
Ele, porém, tem consciência de que a sirene não substitui a polícia. Por isso, a comunidade tem também uma parceria com a Polícia Militar (PM), que é chamada assim que as primeiras sirenes começam a tocar. É o que reforça o subtenente Eri Carlos, da 4º Companhia do 13º Batalhão da PM. ''O morador que tem o sistema não deve agir como policial. Assim que detectar uma situação de risco, deve ligar para o 190'', orienta.

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