Vizinhos reclamam de fábrica de calcário
O pó branco do calcário da Indústria de Adubos Solo Gran cobre carros, hortas e pomares, revoltando moradores de Campo Magro
Instituto Ambiental do
Paraná diz que a empresa
vai instalar equipamento
de controle da poluição
Monica Kaseker

Mauro Frasson
Inês Marquievcz no pomar de sua casa: ela diz que a poeira não permite que as árvores produzam frutosMoradores do Jardim Água Boa, em Campo Magro (Região Metropolitana de Curitiba), reclamam há três anos da poluição causada pela Indústria de Adubos Solo Gran. O pó de calcário sai noite e dia da fábrica deixando brancos os carros, casas, plantas e toda a paisagem do bairro. Os moradores já fizeram abaixo-assinado e denúncias, mas dizem que continuam sofrendo os efeitos da poluição. Problemas respiratórios, hortas e pomares destruídos e a poeira constante são as principais reclamações.
O motorista Ailton Evaristo Ribeiro, 34 anos, diz que pela manhã encontra a garagem com uma crosta de poeira branca. ‘‘Eles fazem a fábrica trabalhar à noite para não chamar a atenção’’, afirma. Ribeiro diz que já cansou de reclamar e nada foi feito. Sua vizinha Inês Marquievcz, 53 anos, diz que o pomar e a horta não produzem mais por causa de tanta poeira. ‘‘Moro aqui há 14 anos e a poluição piorou nos últimos três anos. Sofro de uma tosse que nunca sara’’, reclama.
Antonia Levinski, 57 anos, conta que seus problemas respiratórios apareceram no mesmo período e que, às vezes, só com o inalador consegue respirar melhor. Irritações nos olhos e na garganta também são comuns. Antonia já organizou abaixo-assinado e representou a vizinhança em reuniões no Instituto Ambiental do Paraná (IAP), mas diz que agora desanimou.
Um dos proprietários da empresa recebeu a Folha, mas não quis dar entrevista formalmente. Genito Massochin conta que a fábrica existe há 20 anos no local, e as reclamações teriam começado - como represália - depois que ele assumiu a direção. Ele diz que tem documentação regularizada no IAP e que está em fase de implantação um projeto para reduzir a emissão de poeira. O proprietário destaca que o adubo é produzido à base de calcário, que não é poluente.
Segundo a engenheira química do IAP Maria Izabel Chuves, o empresário apresentou na semana passada projeto para controle da poluição atmosférica e com isso terá o prazo de 30 dias para instalar os equipamentos. A Solo Gran já foi multada várias vezes em cerca de R$ 5 mil. O projeto prevê a implantação de tecnologia inédita no Brasil, usando um filete de água para impedir a saída das partículas.
Quanto à fiscalização de mineradoras poluentes na região de Curitiba, o geólogo Fernando Bettega, do IAP, diz que há apenas oito técnicos e, por isso, o trabalho dá prioridade às empresas mais próximas a núcleos urbanos. Depois do licenciamento, a fiscalização é feita periodicamente e a partir de denúncias.

mockup