Vizinhos reclamam de doenças mas não há parecer técnico
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segunda-feira, 09 de abril de 2001
De São José dos Pinhais 
Há mais de um ano, Janete Kovalski, 25 anos, ouviu de um médico o diagnóstico de que seu filho Álvaro, hoje com 1 ano e 9 meses, estava com problemas respiratórios causados por algum tipo de intoxicação. Morando a menos de 100 metros de um dos depósitos de lixo tóxico de São José dos Pinhais, Álvaro tinha constantes crises de rinite, muita tosse e chegou a expelir uma secreção esverdeada pelo nariz.
O médico chegou a recomendar que a família mudasse de local mas, sem condições financeiras, acabaram ficando. Outra vizinha, Terezinha da Silva Marcondes, 56 anos, mudou-se há seis meses para o local. Coincidentemente, foi a partir daí que começou a sentir enjôos e falta de ar. A gente se sente mal, o cheiro é muito forte, mas não tínhamos para onde ir. Tomara que agora tudo melhore, dizia Janete.
Não há parecer técnico sobre os efeitos causados na população e no meio ambiente pelo lixo tóxico abandonado a céu aberto em três áreas de São José dos Pinhais. Mas o presidente do Conselho do Meio Ambiente do município, João Teixeira da Cruz, afirma que os rios Itaqui, Miringuava e Ressaca, todos na Região Metropolitana, receberam parte do lixo. Abandonados, os tambores acabaram oxidando e vazando. Com a chuva, esses resíduos misturaram-se à água dos rios e acabaram penetrando no solo, diz.
A Transforma iniciou a remoção por um depósito às margens de uma lagoa que deságua no Rio Iraí, importante manancial de captação para o abastecimento de Curitiba. (M.G.)


