A Associação de Moradores do Jardim Bandeirantes começou ontem a recolher assinaturas para um novo abaixo-assinado com o objetivo de transferir o 3º Distrito Policial do bairro, localizado na zona oeste de Londrina. ‘‘Nossa prioridade é tirar isso daqui’’, afirmou o presidente da Associação, Ivo de Bassi.
Ele disse que vários abaixo-assinados já foram encaminhados às autoridades policiais, pedindo o fechamento do distrito, mas as respostas sempre foram negativas. ‘‘É sempre a mesma ladainha’’, diz Bassi, esperançosos de que a situação possa se reverter com a nova campanha. ‘‘Nós temos já o terreno doado no distrito de Maravilha e parte da verba para a construção de um distrito lá. Agora precisamos de empenho.’’
Ivo Bassi lembra que toda vez que existe fuga de presos do distrito ou uma rebelião - como a ocorrida no último sábado, quando os detentos ficaram rebelados das 14h30 às 17 horas - os moradores ficam em situação de pânico. Os próprios moradores confirmam. ‘‘Toda vez que tem algum barulho por aqui é mais seguro você trancar a casa e sair para a rua’’, conta a dona-de-casa Maria Cristina da Cruz. O marido dela, Luiz Antônio, mora no bairro há 32 anos e lembra que o terreno onde hoje funciona o DP era um campo de futebol. ‘‘A gente gostaria de trocar o distrito por um posto de saúde. O clima em toda vizinhança é de apavoramento total.’’
A família já sofreu o drama de ter um preso apontando um revólver para a cabeça de uma das filhas, que estuda na escola que faz fundos com a delegacia.
‘‘Ela ficou quatro dias sem dormir’’, lembra Luiz Antônio. Ele conta que muitas famílias se mudaram do bairro, assustadas com a falta de segurança. ‘‘A gente entende a situação de dificuldade dos parentes dos presos, mas para nós também é difícil.’’
Em fevereiro, 44 presos fugiram do 3º Distrito Policial. Eles saíram correndo pelas ruas do bairro e renderam o mecânico Marcos Antônio Pitaguari Lopes, que estava em frente de casa com a esposa Ângela e o filho de quatro anos. Os fugitivos levaram o carro da família. Em seguida, os presos invadiram a casa do aposentado Tiago Raimundo dos Santos, apovarando visitas que participavam de uma festa de aniversário.
O morador José Carlos Rosa por pouco não levou um tiro na cabeça quando construía sua casa, em frente à delegacia, há cerca de seis meses. A bala veio do distrito policial. Ele correu para lá e disse ter visto policiais ‘‘treinando tiro ao alvo’’ numa bananeira. ‘‘É revoltante. Na época eu não procurei a imprensa porque os policiais prometeram que tomariam providências.’’ Rosa diz que, depois disso, quase não sai à noite e fecha a casa às seis da tarde. ‘‘Vira e mexe a gente ouve tiros à noite. Na noite anterior à rebelião foi assim.’’

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