Vizinhos que ''roubam'' a paz
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quinta-feira, 09 de fevereiro de 2012
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
Ao chegar em casa o que a maioria das pessoas mais deseja é um pouco de sossego para recarregar as energias. Porém, ficar em paz é quase impossível quando os vizinhos não colaboram. O sentimento de serenidade se torna um artigo raro para quem é obrigado a conviver com barulho e outros incômodos que ocorrem com frequência a poucos metros do que deveria ser apenas o seu tão sonhado lar doce lar.
Quando uma igreja evangélica passou a ocupar um imóvel quase em frente à sua residência, na Zona Oeste de Londrina, um morador que prefere manter o nome no anonimato nunca imaginou que isso representaria o fim de suas tardes e noites silenciosas. ''Tem culto todos os dias e eles gritam o tempo todo no microfone. Aqui em casa a gente não consegue conversar e tem aumentar no último o volume da televisão para conseguir ouvir alguma coisa que não sejam os gritos. Além disso, no domingo tem ensaios de bateria durante a tarde toda. É impossível relaxar e ficar em paz com tanto barulho'', afirma.
Ele diz que já reclamou com alguns pastores e que alguns até se sensibilizaram com a situação, porém o problema não foi resolvido. ''Após as queixas, eles até diminuiram um pouco o volume das caixas de som, mas ainda assim o barulho é grande. Acho que só teremos paz quando eles resolverem revestir as paredes com isolamento acústico'', argumenta o aposentado. Ele diz que os demais vizinhos da igreja não costumam reclamar porque quase todos também são evangélicos.
Madrugada
Morar próximo próximo a points badalados não tem apenas pontos positivos. O crescente desenvolvimento da Gleba Palhano trouxe alguns incômodos a um morador de um morador de um condomínio residencial que fica na Avenida Madre Leônia Milito. ''Não tenho queixas em relação aos bares e boates que ficam a poucos metro daqui. O problema são os motoristas que passam com som altíssimo, principalmente de madrugada. Quando a gente está acordado não é possível ver televisão. Também é comum acordarmos no meio da noite com a música alta, os gritos e as freadas bruscas'', queixa-se ele, que prefere não se identificar.
O morador diz que o movimento na avenida costuma ser maior nas noites de quinta-feira a domingo e que se cansou de fazer reclamações à secretaria municipal do Meio Ambiente. ''Quando eles fazem fiscalização no local, os motoristas ficam contidos por algumas semanas, depois começa tudo de novo. Acredito que se as fiscalizações ocorrem com mais frequência não teríamos tantos incômodos'', argumenta.
Baratas
Apesar de gostar muito da casa que construiu e da vizinhança que considera tranquila, o motorista José Antonio dos Santos já pensou em vender o imóvel diversas vezes por conta da grande quantidade de baratas que costumam invadir sua residência. Há 10 anos ele mora ao lado do Cemitério Jardim da Saudade, na Zona Norte, e diz que ainda ainda hoje se espanta com o problema.
''Quando os carros descem a rua à noite, a gente só ouve os estalos das baratas mortas pelo pneus. Basta o sol se por que os muros de cemitério costumam ficar coberto delas'', conta Santos.
O morador diz que passa veneno na casa praticamente todas as semanas. ''Diariamente minha varanda amanhece forrada de baratas mortas. Por onde a gente olha tem baratas e nunca podemos deixar nada descoberto pois elas se espalham pela casa toda. É um incômodo constante. Acho que o cemitério deveria ser dedetizado com uma frequência maior para reduzir esse problema'', afirma.
Cenas inusitadas
A costureira Francisca Oliveira Moritz diz que já se acostumou a presenciar situações absurdas que acontecem bem em frente à casa onde reside há quatro anos. ''Já vi gente tirando a roupa e correndo pelada no meio da rua. Cenas de enfermeiros correndo atrás de paciente também são constantes, assim como os gritos de pessoas alteradas que me acordam de madrugada'', relata.
Tudo isso acontece porque ela mora próximo a um Centro de Atenção Psicosocial que oferece atendimento a pessoas com transtornos mentais. ''Sei que as pessoas não fazem isso por mal. Então, ao invés de reclamar desses incômodos prefiro rezar por eles'', diz dona Francisca, que é evangélica. ''Acho até que tem um lado positivo, pois como existem ambulâncias do Samu chegando e saindo a toda hora o risco da gente ser assaltado é menor'', avalia.


