Comerciantes e moradores do bairro Boqueirão, em Curitiba, se juntaram ontem à família de Fabíola Guercheski - que morreu na noite de sábado atropelada por um motorista embriagado - para protestar contra a falta de segurança na Rua Bley Zorning. O ato começou às 10 horas, na esquina das ruas Bley Zorning e Carlos Essenfelder. Segundo a Polícia Militar, cerca de 500 pessoas percorreram três quadras pedindo justiça e segurança. O pai de Fabíola, o comerciante Reinaldo Guercheski, 48 anos, pede a instalação de lombadas eletrônicas na rua. ‘‘Estamos reivindicando isso desde 1993’’, afirmou. ‘‘Não queremos que outras famílias sejam abaladas como a nossa.’’
Fabíola Guercheski, 15 anos, morreu atropelada no sábado, às 19 horas, quando conversava com duas amigas no portão de casa. A menina foi atingida pelo caminhão Scania de placas KAV 6359, de Goiânia, dirigido pelo gerente da empresa New Homes Mudanças, José Gabriel de Souza Filho, 45 anos. O motorista do caminhão estaria fazendo racha com um Fiat Fiorino, também da New Homes Mudanças.
Segundo o advogado da família de Fabíola, José Francisco Bach, Souza Filho estava embriagado, não prestou socorro à menina, fugiu e ainda deu queixa falsa de que haviam roubado o caminhão que ele dirigia. Souza Filho esteve preso, mas agora está em liberdade. Bach está esperando o exame de dosagem alcoólica e o laudo do Detran-PR para pedir prisão preventiva do acusado da morte de Fabíola. ‘‘Ele não deveria estar solto porque praticou crime doloso.’’
Segundo os moradores, acidentes na região são bastante comuns. O comerciante José de Souza e Silva diz que, só em frente a seu supermercado, ocorreram três acidentes violentos no período de um ano. Neste ano, a primeira ocorrência com morte foi a de Fabíola.
Alguns vizinhos mudaram a rotina dos filhos depois da morte da menina. A comerciante Adriana Souza, 23 anos, resolveu deixar o filho Kaíque, 5 anos, na escola em período integral. Antes, ele ficava a manhã inteira brincando na frente de casa e, à tarde, ia à escola. ‘‘Estudando o dia inteiro, ele corre menos risco.’’
Adriana reclama que os motoristas andam em alta velocidade na Rua Bley Zorning. Em fevereiro deste ano, um motorista embriagado bateu na moto do marido de Adriana, Marco Aurélio Campos, 28 anos, quando ele ia comprar pão. Marco foi jogado para o chão, mas não teve ferimentos graves.
A artesã Zilda Maria Coelho Pszybylski, 37 anos, proibiu o filho Roverson, 9 anos, de ir ao colégio sozinho. Agora, ela o leva todos os dias para a aula. ‘‘Este não é o primeiro acidente que ocorre. Vivemos no país da impunidade’’, disse. ‘‘Não temos segurança sem protesto.’’

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