Vizinhos elogiam, mas
desconfiam das obras
Fotos Dorico da SilvaDona Joana Carvalho: ‘‘Isto aqui era o fim do mundo’’Júlio Alves: ‘‘Isto aqui vai ficar muito melhor’’‘‘Se fizerem tudo o que prometeram no dia em que vieram fazer o lançamento das obras, isto aqui vai ficar uma beleza. Vai ser muito bom para as pessoas aproveitarem a área e vai valorizar nossas casas.’’ A opinião é da dona de casa Joana Carvalho, viúva, 56 anos, uma das primeiras moradoras da rua que margeia o Córrego da Roseira, no Jardim Monte Belo.
Ela conta que chegou ao bairro há pouco mais de oito anos, vinda de São Jerônimo da Serra (150 km a leste de Londrina) com a família. ‘‘Quando compramos esta casinha, isto aqui era o fim do mundo. Não tinha água encanada, não tinha energia elétrica, rede de esgoto e nem asfalto. Hoje, tem tudo, está muito bom’’, diz Joana Carvalho, ressaltando que a região é tranquila e nunca teve problema de segurança.
Outro que está feliz com o início das obras, mas também um pouco desconfiado de que elas não sejam concluídas, é o vendedor autônomo Júlio Alves, morador do Jardim Lagoa Dourada há aproximadamente seis anos. ‘‘Estou contente com o pessoal trabalhando aí no vale. Quando vim morar aqui, já ouvia falar que a prefeitura faria uma lagoa nesta várzea. Agora, parece que ela vai sair mesmo’’, comemora.
‘‘Estou gostando de ver o serviço dos operários. Isto aqui vai ficar muito melhor, depois destas obras’’, comenta Júlio Alves. ‘‘Foi pensando nestas benfeitorias, e na valorização dos imóveis, que eu e meus dois filhos construimos nossa casa.’’
Quem concorda que as obras públicas de recuperação e manutenção dos fundos de vale valorizam rapidamente os imóveis da vizinhança é o arquiteto e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Valter Tadeu Dubiela. Ele faz parte do recém-criado Instituto para a Conservação e Estudo do Ambiente (Icea) e afirma que aquelas áreas devem ser pensadas como locais de preservação e lazer para a população.
De acordo com o arquiteto, os fundos de vale abandonados ou mal conservados representam inclusive perigo para os moradores vizinhos. ‘‘O investimento em conservação e melhorias, que não é tão alto como se pensa, pode rapidamente triplicar o valor dos imóveis vizinhos’’, ressalta Valter Dubiela. ‘‘Portanto, investir na recuperação desta parte da natureza – que é um enorme patrimônio da cidade –, além de ser a única saída viável, pode reverter em bons resultados imobiliários para a população e bons saldos políticos para os administradores.’’ (O.C.)

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