Vizinhos do mato alto
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sábado, 28 de novembro de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local
Duas casas, um terreno baldio. Mais uma edificação e adivinhe? Outro lote desocupado. Não fosse a falta de construção nestas datas do Jardim Moema, na zona norte de Londrina, não haveria problema. O que incomoda os moradores da região é o matagal que toma conta de boa parte dos espaços e abriga "novos vizinhos". "Aqui é cheio de pernilongo, cobra-cega. Acho que muita gente comprou terreno, não conseguiu construir e está sem fazer manutenção", comenta a babá Beatriz Rodrigues Nascimento, de 18 anos.
A poucos metros da casa de Beatriz, a vendedora Maria Aparecida de Freitas, de 52 anos, relata que até ratos já entraram em sua residência. No terreno ao lado, o mato só aumenta de tamanho com o passar dos dias. "Às vezes, pessoas entram no terreno e deixam latas, garrafas. Temos que ir depois e ficar desvirando, para água não acumular", pontua ela, ao reclamar que o matagal também traz outro tipo de apreensão na família. "Alguém pode se esconder ali, bandido, ladrão", observa.
"A molecada coloca fogo também", emenda a aposentada Maria Aparecida Gusmão, de 69. "Como o bairro ainda tem poucas casas, não sabemos nem para quem reclamar para que o lote seja limpo", diz.
Segundo a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), casos como estes devem ser denunciados pela população ao Serviço de Atendimento à Comunidade (SAC), pelo telefone (43) 3379-7900, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17 horas. Desde o início do ano, cerca de 3 mil lotes já foram limpos pela equipe de roçagem terceirizada contratada pela companhia, após notificação aos proprietários, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas. Os donos dos terrenos que não regularizam a situação têm o serviço executado e recebem, depois, a cobrança.
Quando é a CMTU que executa a limpeza de terrenos particulares, proprietários devem pagar uma multa de R$ 2 por metro quadrado, mais de R$ 0,51 a R$ 0,54 pelo serviço de capina e roçagem por metro quadrado e taxa administrativa de 10% sobre o valor total. Na prática, por exemplo, a roçagem de um terreno de 250 metros quadrados custaria quase R$ 700. Registros fotográficos são feitos antes de depois da execução da limpeza do terreno para fins judiciais. "Nesta época do ano, intensificamos os trabalhos por conta do clima, a questão da dengue. Muitos proprietários não aceitam a cobrança depois, mas em mais de 90% dos casos têm a defesa indeferida", afirma o diretor de Operações da CMTU, Mauro Andrade.
A CMTU gasta, mensalmente, R$ 56,4 mil com a limpeza de lotes particulares cerca de 300 roçagens. Ao final de um ano, o gasto é de R$ 700 mil. "Se houvesse responsabilidade e atitude ambiental e de educação por parte de mais pessoas, a CMTU não precisaria constituir uma estrutura só para isso. São custos altíssimos, que poderiam ser investidos em outra área, como saúde e educação", lamenta Andrade.
Londrina tem atualmente em torno de 40 mil terrenos particulares. Destes, de 10% a 15% estão sem manutenção. A equipe da CMTU responsável pela capina e roçagem destes locais segue um cronograma de trabalho. "Antes de executar a limpeza, sempre divulgamos na imprensa os próximos locais. É uma forma de dar mais uma chance para que o dono do terreno o limpe antes da nossa equipe", pondera Andrade.