Moradores da Vila Hípica (zona oeste de Londrina) querem que o prefeito Nedson Micheleti (PT) retire o bairro do decreto que declara como de utilidade pública os lotes vizinhos ao futuro campus da Pontifícia Universidade Católica (PUC). A lei de desapropriação do terreno do Jóquei Clube para instalação do campus será sancionada amanhã (leia texto nesta página). Os moradores reclamam que, com a declaração de utilidade público, os imóveis vai desvalorizar. Isso porque eles só poderiam ser usados para fins educacionais ou para uso do município.

O assunto seria discutido ontem à noite, em uma reunião na Vila Hípica, entre o prefeito, moradores e proprietários de terrenos. O encontro foi articulado pelo vereador Renato Araújo (PPB), que preparou um projeto de lei pedindo a revogação da utilidade pública de cerca de 200 lotes localizados ao lado da Avenida Jóquei Clube. O projeto não foi apresentado porque, segundo o vereador, Nedson pediu para conversar primeiro com a comunidade e acenou com a possibilidade de deixar a Vila Hípica de fora do decreto.

''Sendo de utilidade pública, ninguém vai querer comprar os terrenos'', justificou Araújo. Ontem, a Câmara aprovou requerimento do vereador Lourival Germano (PHS), pedindo que a prefeitura retire do decreto os lotes de número 1 a 72, por serem área residencial.

A presidente da Associação de Moradores da Vila Hípica, Lindaura Lopes Conceição da Silva, disse que a comunidade ficou ''descontente'' ao ver os terrenos incluídos no decreto. ''Ficamos abandonados 30 anos. Tivemos que pagar asfalto, luz. Quando o progresso chega, não podemos usufruir'', reclamou. Como progresso, Lindaura da Silva considera a instalação do campus da PUC.

Ela explicou que grande parte dos moradores aprova o novo vizinho, principalmente porque acreditam que a área será valorizada. O problema é a declaração de utilidade pública, que puxa o preço do imóvel para baixo.

Entre os proprietários de terrenos declarados como de utilidade pública está o chefe de gabinete do prefeito Nedson Micheleti, Jorge Coimbra Neto. Só que os seis lotes dele não estão na Vila Hípica, mas localizados do outro lado do Jóquei. Apesar de ter assinado o decreto (na época, ele era secretário de Governo), Coimbra Neto alegou que não sabia que os imóveis estavam incluídos.

Ele disse que houve ''um engano'' do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina(Ippul) ao se basear em um mapa desatualizado na hora de orientar o prefeito sobre os terrenos de interesse público. Segundo o chefe de gabinete, seriam declarados os lotes que fariam divisa com a PUC. No mapa antigo, o lote 46, cujo um dos proprietários é Coimbra Neto, está junto do Jóquei. Mas em 1994, com o loteamento da área, a Rua Serra da Roraima foi aberta, separando o clube.

O chefe de gabinete argumentou que não percebeu o equívoco: ''O lote 46 não existe mais. Agora existem datas.'' Coimbra Neto entende que não se beneficiou com o decreto. ''Ter um terreno declarado de utilidade pública não traz vantagem para ninguém'', disse. Para ele, também não há problema no fato de ter presidido a comissão de avaliação que definiu o valor da área de 12 alqueires do Jóquei, clube do qual é sócio. Segundo Coimbra Neto, é um engenheiro do Departamento de Patrimônio quem faz a avaliação. O terreno foi avaliado em R$ 2,8 milhões.

Joaquim Augusto Capelo, cartográfico da prefeitura, confirmou que depois que se aposentou, em 1994, os mapas da cidade não foram atualizados. Agora, voltou a trabalhar para o município e está refazendo o material.

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