Moradores do Conjunto Vale Azul 2, em Sarandi (7 km a leste de Maringá), destruíram uma casa do bairro ontem pela manhã depois que a Caixa Econômica Federal despejou a família que morava no imóvel. ‘‘Hoje (ontem) à noite vamos colocar fogo no que sobrou’’, prometeu uma moradora que não quis ser identificada. Na casa morava o catador de papel Carlito Miranda, 47 anos, a mulher e cinco filhos menores. Muito nervoso e revoltado, ele disse à Folha que sofreu agressão física, junto com um filho de 16 anos, ao tentar impedir o despejo.
Miranda comprou o imóvel há cerca de três anos, mas não conseguia pagar a prestação, em torno de R$ 55,00. ‘‘Depois que a Caixa passou o problema para as imobiliárias a pressão tem sido grande’’, afirmou o mutuário, que disse ter sofrido ‘‘muita pressão’’ para desocupar o imóvel. Só não saiu porque alega não ter para onde ir. Ontem, a família ainda dormia quando um oficial de justiça chegou junto com a polícia. Segundo vizinhos, a polícia pôs Miranda e um dos filhos dentro da viatura para conseguir tirar a mudança da casa.
A dona de casa Zilda da Silva, que mora na casa ao lado, disse que os vizinhos pediram para libertar os dois depois que a casa havia sido desocupada. ‘‘Os moradores ficaram revoltados e depois que as autoridades foram embora começou o quebra-quebra’’, contou.
Os moradores arrombaram as portas, quebraram todos os vidros e parte do telhado, e fizeram furos nas paredes da casa. ‘‘Vou passar a noite aqui porque não tenho para onde ir’’, desabafou Miranda. Os moradores prometem resistir aos próximos despejos. São pelo menos 40 mutuários inadimplentes no bairro.
O gerente de mercado da Caixa em Maringá, Luiz Henrique Sardi, disse ontem que já havia acionado a polícia para a abertura de inquérito. ‘‘Se todos os moradores participaram da destruição do imóvel, todos serão responsabilizados’’, afirmou. Ele disse que o mutuário da casa pagou apenas uma prestação do imóvel, em agosto de 1992, e depois repassou a casa ao atual morador. ‘‘O maior beneficiado com a situação foi o morador, que ficou na casa esses anos todos sem pagar nada.’’ Sardi adiantou ainda que apesar da inadimplência ser alta no Vale Azul 2, não existe previsão de novos despejos.

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