Vizinhos denunciaram o caso ao IAP ano passado
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de setembro de 1997
Curitiba 
O Instituto Ambiental do Paraná emitiu ontem a licença para que a Ambiência retire do galpão alugado em Colombo o lixo industrial que será queimado nos fornos de cimento da Votoran, em Rio Branco do Sul. A notícia deverá aliviar os moradores da região, que passaram quase um ano e meio temendo os efeitos da presença dos resíduos na vizinhança.
Foram vizinhos do galpão que denunciaram o caso ao IAP no ano passado e agora procuraram a imprensa para relatar a demora na solução do problema. Não há vigilância em torno do galpão e qualquer pessoa pode entrar sem esforço.
O diretor comercial da Ambiência, Cid Parigot de Souza, diz que a empresa deverá retirar todo o resíduo do galpão nos próximos dias. Ele evita acusar o IAP pela demora, mas conta que pediu autorização para a retirada no final de maio de 1996. Souza atribui a demora ao processo burocrático dos órgãos públicos.
É a mesma explicação fornecida pelo chefe do Departamento de Controle da Poluição do IAP, Altamir Carlos Lopes. Os processos são centralizados na sede do IAP e temos poucos advogados, afirma. Segundo ele, se houvesse algum risco no local, teríamos pedido urgência no trâmite desse processo.
O próprio IAP, contudo, admitiu o risco ao autuar a Ambiência duas vezes, em maio e junho do ano passado, pela disposição dos resíduos no galpão. O órgão ambiental fixou multa diária de R$ 832,00, por disposição do material em local onde possam ocasionar danos ao meio ambiente. Como recorreu da autuação, a Ambiência ficou isenta de pagar a multa durante o período em que os resíduos ficaram depositados no galpão.
No mês passado, o IAP fez nova autuação, desta vez contra a Transportadora Santa Felicidade, que transportou o produto até o galpão. Foi fixada multa diária de 3.600 UFIR (R$ 3,2 mil), mas a empresa recorreu.


