Vizinhos denunciam ação de pedreiras
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sexta-feira, 13 de março de 1998
Mônica Kaseker 
Albari RosaQuebra-pedraMineradoras atuam na região desde a década de 70 e têm sido alvo de processos, com autos de infração, multas e embargosA exploração mineral de duas pedreiras está avançando sobre a Mata Atlântica na divisa de Quatro Barras e Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. A denúncia é de Arynelson Grabowski de Mello, que mora na região. Além dos danos à vegetação, o nível de ruído causado pelas explosões para extração de pedra, a vibração do terreno e o intenso tráfego de caminhões estão incomodando os moradores da região.
As mineradoras Boscardim e Gava existem desde a década de 70 na região, de acordo com o geólogo Fernando Bettega, do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), e têm sido alvo de longos processos, com autos de infração, multas e embargos. No momento as duas estão licenciadas e nós estamos fiscalizando de perto a exploração porque aquela área é muito frágil, diz o geólogo.
Bettega diz que houve um acordo para que as mineradoras não avancem sobre a Mata Atlântica e continuem a exploração aprofundando o piso da mina. As empresas também estão fazendo um estudo de controle e recuperação da vegetação, elaborando projetos para redução de ruídos e vibração e implantando um programa de controle de erosão nas vias de acesso e áreas de estoque.
Albari RosaTráfego intenso de caminhões perturba
O geólogo da mineradora Boscardim, Antonio Sobanski, diz que está trabalhando na área há apenas quatro meses e que ainda é cedo para obter resultados. Segundo ele, uma das mineradoras foi instalada há 40 anos no local e a outra há 28 anos e naquele tempo não havia tanta preocupação ambiental. Mas agora as mineradoras estão trabalhando na recuperação do solo, da vegetação e controle de ruídos. O advogado da mineradora Boscardim, irmão de Antonio Sobanski, chegou a negar que a empresa esteja localizada perto da Mata Atlântica e diz que só falará sobre o assunto na segunda-feira.
A ambientalista Tereza Urban, do Fórum Pró-Conservação da Natureza do Paraná, diz que a atividade mineral está fora de controle em todo o Estado. Não há ação fiscalizadora, não há pessoal, nem carro ou qualquer estrutura para que o IAP atue com mais rigor, avalia. Segundo ela, a exploração mineral na Mata Atlântica pode comprometer a produção de água, além de causar danos à biodiversidade. Se a exploração avança sobre a Mata Atlântica, é feita em áreas de inclinação de mais de 20 graus ou ainda extrai acima da cota limite o prejuízo é incalculável, diz.
O Paraná tem 586 mil hectares de floresta Atlântica, a maior área do País.


