Londrina

César AugustoDuro acessoMaria de Lurdes Adolfo (centro) com outros moradores da região: atravessar rodovia ficou difícilOs moradores do conjunto Vivendas do Arvoredo, bairro próximo ao cruzamento da avenida Harry Prochet com a PR-445 (zona sul de Londrina), estão preocupados com a falta de segurança da rodovia, principal acesso entre o conjunto e o centro da Cidade. Eles querem discutir com o Departamento Estadual de Rodagem (DER) a implantação de sinalização e sugerir adequações para garantir a segurança de quem utiliza o cruzamento.
Os moradores afirmam que, com a construção das marginais e a retirada do contorno, a travessia ficou mais perigosa. ‘‘Até quando o poder público vai continuar tomando decisões sem consultar a comunidade, que é quem sofre o reflexo?’’, critica Maria de Lurdes Adolfo, da Associação de moradores. Ela diz que, aparentemente, o projeto não previu uma travessia segura para pedestres, nem se preocupou em atender o fluxo de veículos e ônibus de linhas que utilizam o cruzamento como acesso aos bairros da região.
Segundo ela, um canteiro estreito que separa a pista principal das vias marginais vai ser o único ‘‘descanso’’ para quem quiser atravessar a rodovia. ‘‘Já era difícil que as nossas crianças atravessavem a rodovia quando tinha só uma pista. Agora ficou inviável’’, reclama. Segundo a associação de moradores, a maioria das crianças do bairro precisa enfrentar a travessia para ir à escola.
Os moradores que usam o transporte coletivo também foram prejudicados. Com as mudanças, o ponto de ônibus, que antes ficava protegido, afastado da rodovia pelo contorno, agora beira a marginal. Outra reclamação dos moradores é contra as ‘‘agulhas’’ - ruas que possibilitam o contorno permitindo o cruzamento da rodovia em direção ao centro e ao bairro. O engenheiro agrônomo Manoel Oliveira, morador do conjunto, explica que elas são estreitas e não vão comportar o fluxo de veículos nos horários de maior movimento.
No Vivendas do Arvoredo moram 102 famílias - cerca de 600 pessoas. O cruzamento atende ainda os funcionários do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) - aproximadamente 200 - e o fluxo de ônibus das linhas que servem os conjuntos Ouro Branco e Parque Industrial. O pesquisador do Iapar Paulo Guilherme Ribeiro, que também mora no conjunto, assinala que as agulhas estão em desnível com a pista da rodovia. ‘‘Elas estão abaixo da pista principal. Quem vem pela rodovia não vê quem está na agulha e quem vai atravessar não tem visibilidade da pista.’’
‘‘As marginais também vão funcionar como vias rápidas e será necessária uma sinalização especial para obrigar os motoristas a reduzir a velocidade no trecho, garantindo uma travessia segura’’, comenta Lurdes Adolfo. Ela informou que, desde o início do ano, a associação de moradores vem tentando obter esclarecimentos sobre o projeto da obra para poder apresentar suas reivindicações. ‘‘Na Prefeitura dizem que a responsabilidade é do DER e, no DER mandam a gente procurar outros órgãos ou, simplesmente não nos dão retorno.’’
A obra foi iniciada em outubro do ano passado e os moradores querem uma posição do DER antes da conclusão da obra. Lurdes Adolfo diz que a associação fez uma última tentativa na terça-feira, encaminhando ofício ao DER pedindo uma reunião. ‘‘Se isto não adiantar, vamos fechar a avenida.’’ O engenheiro-chefe do DER em Londrina, Sérgio Leite, não foi encontrado pela Folha.

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