Moradores de Curitiba que vivem em torno de delegacias não se sentem ameaçados com as fugas de presos, pois o número de ocorrências é baixo nas redondezas. Em Santa Felicidade, onde anteontem fugiram sete detentos da delegacia local, moradores como Júlia Preste Vendramin nunca foram assaltados. ‘‘Morar perto de uma delegacia é um ponto positivo, dá mais segurança’’, diz.
Júlia conta que há 15 anos vive a menos de uma quadra do 12º Distrito Policial. ‘‘Nesse período, nunca invadiram minha casa, talvez por causa da delegacia’’, comenta. Mesma opinião tem o açougueiro Valdecir Silva, vizinho de parede da delegacia. ‘‘Em cinco anos, esta é primeira vez que sei de uma fuga’’, diz, garantindo nunca ter sido assaltado.
Já para a Polícia, a superlotação
Kraw PenasJúlia Preste Vendramin diz não reclamar da vizinhançadas delegacias sobrecarrega o serviço. ‘‘As nossas delegacias estão lotadas e precisamos da construção de um presídio local’’, avalia o chefe da Divisão Policial da Capital, Marco Antonio Lagana. Apenas nos 13 distritos policiais dos bairros da cidade, o número de presos supera em 146,15% as vagas existentes - são 156 vagas para 384 detidos. De acordo com o delegado Marco Antonio Lagana, chefe da Divisão Policial da Capital, que engloba 13 Distritos Policiais, 35% deles já foram condenados e deveriam ser transferidos para presídios.
Na fuga do 12º distrito, 23 detentos conseguiram imobilizar um policial, que próximo das 22 horas ia alimentá-los. Depois os presos saíram correndo da delegacia, entrando em algumas casas. O delegado Luiz Fernando Artigas Júnior conta que por falta de pessoal tinha apenas três dos dez funcionários protegendo o local, em regime de plantão. Entre os que fugiram havia um homicida, quatro estupradores e outros com pena leve. Dois deles já deveriam ter sido transferidos para uma penitenciária. Até o fim da tarde, nenhum deles havia sido recapturado.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, são quase mil pessoas presas na região e 5 mil no Estado, contra cerca de 2,3 mil nos presídios de Piraquara e do Ahú, Curitiba. ‘‘A solução para o problema de vagas na cidade é a construção de um presídio local’’, comenta Lagana. Na secretaria da Justiça existe projeto para a construção de três presídios para amenizar o problema. Um em Guarapuava, com 240 vagas; um em Piraquara, com 540 vagas; e outro em Cascavel, a primeira Penitenciária Industrial do Paraná, com 240 vagas. Ao todo, são 1.020 vagas, que não acabam sequer com o excesso de presos das penitenciárias.

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