Está de volta a polêmica em torno de serviço de captura de animais errantes, a ‘‘carrocinha’’, de Campo Mourão. Uma denúncia feita à Sociedade Protetora dos Animais (SPA) por moradores da Vila Guarujá, onde está localizado o canil, afirma que funcionários da prefeitura estariam sacrificando cães com a aplicação de injeções. A prefeitura nega a acusação, mas o canil está vazio.
No final de semana, a SPA chegou a levar a polícia até o local para checar a denúncia. Pelo menos seis moradores confirmaram o sacrifício dos cachorros. Alguns chegaram a dizer que viram cães serem enterrados ainda vivos. Claudemir Ferreira, 17, é uma das testemunhas. ‘‘A injeção é aplicada por funcionários da prefeitura’’, assegura. A dona-de-casa Cristina da Silva Rodrigues, confirma a denúncia. ‘‘Vi eles matando dois cachorros’’.
A dona-de-casa conta que chegou a perguntar por que os animais estavam sendo mortos. ‘‘Disseram que eles estavam com a coluna quebrada, mas os cachorros estavam andando normalmente’’, ressalta. De acordo com a denúncia, o sacrifício seria feito junto à área onde é depositado o lixo hospitalar, que fica a poucos metros do canil. A SPA, que já processou a prefeitura por maus-tratos aos cães, promete um novo processo.
O secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Márcio Nunes, diz que não tem conhecimento de que cachorros estariam sendo sacrificados. ‘‘Não estamos nem fazendo o recolhimento’’, destaca. Segundo ele, já houve casos de pessoas que procuraram a carrocinha pedindo o sacrifício de cães que estavam em estado terminal. O secretário justifica ainda que o canil está vazio porque os animais foram doados.
Na área do lixo hospitalar, membros da SPA localizaram quatro cachorros mortos. Não há como provar que os animais tenham sido sacrificados. Eles podem ter morrido na cidade e levados até o local pelo serviço de coleta de lixo. A polêmica sobre a carrocinha se arrasta em Campo Mourão desde o início do ano. A prefeitura conseguiu aprovar na Câmara uma lei que permite o sacrifício dos cães apreendidos, mas uma lei estadual de 1989 proíbe a matança.

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