Vizinhos da UEL criticam muro no campus
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quinta-feira, 03 de maio de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Além de não contar com a simpatia de boa parte dos estudantes, a proposta de construção de um muro na parte oeste da Universidade Estadual de Londrina (UEL) para melhorar a segurança no campus também é criticada por moradores vizinhos. Eles concordam que a obra pode ajudar a coibir crimes mas argumentam que só isso não resolve o problema. A UEL pretende realizar uma audiência pública para discutir o plano proposto pela Chefia de Segurança que prevê, além do cercamento, a presença ostensiva da Polícia Militar.
Morador do Jardim Colúmbia há 12 anos, ''quando o bairro era puro mato'', o calheiro Rubens de Oliveira, 23 anos, reclama que o muro vai impedir que ele e parentes passem pelo campus para pegar ônibus. ''Acho que em vez disso, eles deveriam contratar mais seguranças porque a cerca não vai adiantar nada'', argumenta. Ele também acha que o cercamento vai prejudicar a imagem que outras pessoas têm do bairro. ''Isso parece preconceito contra os moradores'', completa Oliveira.
Para facilitar a vida da filha Adriana, caloura no curso de Química, o aposentado Arlindo Américo de Freitas, 56, se mudou para o Columbia em 2000. A filha se formou mas está fazendo mestrado e corta caminho para ir à instituição para não ter que dar a volta pela PR-445. Por isso, também não quer que o muro feche a passagem dos moradores para o campus. Ele opina que ''o ideal seria deixar uma passagem vigiada por segurança para as pessoas continuarem passando'' e investir em mais vigilantes.
''Acho que o muro não resolve nada porque, por exemplo, a Avenida Castelo Branco acaba dentro da universidade e ninguém é parado'', lembra Freitas. O reciclador Reginaldo Rosa, 30, é outro que não gosta da idéia de muro: ''Se tiver que acontecer alguma coisa, não é uma cerca que vai impedir''.
Acostumado a proteger o patrimônio alheio, o segurança Wiliam Custódio, 27 anos, é a voz favorável ao muro. ''É bom porque sem isso qualquer um tem acesso'', aponta. Mas, assim como os demais, ele avalia que o que ajudaria mesmo seria aumentar a vigilância com guardas.
Enquanto o problema é discutido, ações criminosas continuam acontecendo no campus. No último dia 25, um carro foi furtado em um estacionamento ao lado da reitoria e a lanchonete do Hospital de Clínicas foi assaltada por um rapaz armado em plena luz do dia. O mesmo estabelecimento já tinha sido visitado por ladrões armados há algumas semanas.
Como fatos como estes se avolumam, o chefe da Divisão de Segurança da UEL, Pedro Marcondes, continua na defesa de seu plano. Em nota divulgada pela assessoria da universidade, ele argumenta: ''Esses fatos demonstram, de maneira inequívoca, a necessidade de ter controle de quem entra no campus. Isso só será possível através do cercamento da área e instalação de cancelas onde se proceda o controle de acesso de pessoas e veículos. E, também, que possamos contar com a ajuda da Polícia Militar para situações graves.''
No próximo dia 7 de maio, representantes de todos os segmentos da comunidade universitária se encontram numa reunião preparatória para a audiência pública que vai discutir o plano de segurança. Na ocasião, eles devem estabelecer uma data para o debate público.


