Vizinhos da prisão cobram melhorias
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quinta-feira, 20 de agosto de 1998
Osmani Costa 
Além de apreensivos com a iminente entrada em funcionamento da nova Prisão Provisória (PP) de Londrina, moradores dos jardins Del Rey e Acapulco (zona sul) se dizem descontentes com as autoridades municipais pelo não cumprimento de promessas e a não solução de antigos problemas. Já temos aqui o 5º Batalhão da Polícia Militar, a Penitenciária Estadual, e agora a nova prisão. É muito presente de grego para a mesma população. Nós merecemos algo mais do que as prisões, reclama a professora e presidenta da Associação de Moradores dos dois bairros, Cileuza Alves de Almeida.
Segundo ela, as principais reivindicações dos moradores são a implantação da rede de esgoto, a construção de um centro comunitário, o recapeamento do asfalto, o término das obras de uma praça pública, a construção e iluminação de uma rotatória que dê acesso ao conjunto das flores, do outro lado da rodovia Celso Garcia Cid (PR-445).
Josoé de CarvalhoPresente de gregoOs moradores reclamam: Merecemos algo mais do que as prisõesNa época da campanha eleitoral, o candidato Antonio Belinati veio aqui e prometeu que não deixaria o Estado construir mais uma prisão no nosso bairro. Infelizmente, o prefeito não cumpriu a promessa e a nova prisão está aí pronta. Tudo bem, mas além de vizinhos indesejáveis queremos outras obras públicas a que temos direito, comenta o comerciante Geraldo da Silva Moura, que mora no Acapulco há 11 anos.
A PP foi construída anexa à Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), que funciona na divisa entre o Acapulco e o Del Rey desde o final de 1993. Nossos bairros não possuem escola, posto de saúde, igreja, e nenhum espaço para o lazer, para a promoção de festas. Por isto, a construção do centro comunitário, onde poderiam ser ofertados cursos de informática e outros profissionalizantes, é fundamental para a população daqui, afirma Cileuza Almeida, que mora no Acapulco há 4 anos e tem duas filhas menores.
Mostrando o projeto arquitetônico e cópias de leis municipais, ela conta que o Orçamento do Município deste ano prevê a verba de R$ 40 mil para as obras de construção do centro comunitário. O prédio seria erguido num terreno de 5 mil metros quadrados, nos fundos da PEL, atualmente usado como depósito de materiais da Secretaria Municipal de Obras.
Estamos solicitando uma audiência com o prefeito Belinati desde maio, mas não conseguimos. E o que é pior: em recente e rápido contato que tivemos com ele, não sentimos interesse na liberação dos recursos para a construção do centro comunitário, ressaltou a presidenta da Associação de Moradores. O prefeito alega que os recursos são pequenos, que não conseguiríamos completar a obra. Isto é desculpa. Para nós, seria importante o início da construção. O dinheiro é suficiente para erguermos e cobrirmos o salão. Depois, inclusive com recursos da comunidade, poderíamos ir terminando aos poucos.
Ela reclama ainda da falta de segurança na travessia da Rodovia Celso Garcia Cid, percurso que as crianças são obrigadas a fazer diariamente para irem à escola no conjunto das Flores. O mesmo trajeto é usado pelas pessoas que vão ao posto de saúde do Parque Ouro Branco. Depois de prontas as pistas marginais, e com a não construção de uma rotatória, atravessar a rodovia ficou muito perigoso. Os pedestres, ciclistas e até motociclistas acabam passando pelos canteiros. À noite, a situação se agrava pela falta de iluminação, diz Cileuza Almeida.


