Vizinhos criam feira para promover o mercado interno
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sábado, 06 de maio de 2006
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Até bem pouco tempo atrás, Silvia Gaspar Massi era apenas uma dona-de-casa prendada. E assim ficou até começar a presentear algumas vizinhas com pacotes de pó de café produzido no sítio do sogro. A generosidade dela acabou se revertendo em negócio já que a procura pelo produto aumentou tanto que Silvia passou a vender para as moradoras do condomínio. Como ela não é a única a ter um comércio informal entre os condôminos, a síndica Viviane Salvadego idealizou a 1 Feira de Empreendimentos do Quinta da Boa Vista I (zona sul), que aconteceu ontem.
''São pelo menos 700 moradores em 213 apartamentos'', conta Viviane, que também revende cosméticos. ''Mas como estava na coordenação, preferi dar a oportunidade para outros moradores'', explica a síndica. ''As sementinhas dessa feira foram os nossos editais, onde todos os moradores faziam divulgação dos seus produtos e serviços'', conta. Como a oferta era grande e a procura maior ainda, estabeleceu-se entre o limites do condomínio a lei básica de mercado.
''Adorei a idéia de não precisar pegar o carro, sair de casa e ter que pagar estacionamento'', afirma a professora Magali da Silva Rocha Soler, que aproveitou a manhã de ontem para fazer compras de uma maneira bem inusitada, no ''quintal'' de casa. ''Descobri que tenho vizinhas e amigas prendadas'', completa a professora que comprou peças em macramê e tear para presentear.
Representante de uma fábrica de lingerie há sete meses, Hilda Barbieri sempre se aproveitou da propaganda boca-a-boca entre as vizinhas para vender sutiãs e calcinhas. ''Mesmo se eu não efetuar grandes vendas hoje, já vai ter sido uma boa divulgação'', relata.
''Escolhemos uma data favorável, o sábado antes do Dia das Mães. A idéia é repetir a feira próximo a outras datas festivas como o Dia das Crianças, Dia dos Pais e Natal'', avisa a síndica Viviane. Ótima notícia para Silvia Massi, que pelo jeito criou uma veia comerciante. Além do pó de café, ela aproveitou o mercado entre vizinhos para mostrar seus cachecóis, descansos de panela e as conservas. Entre as ofertas da feira, o trabalho artesanal foi o destaque em bolsas, tapetes, telas, caixas de madeira e bijuterias. Mas os moradores também comercializaram perfumes, cosméticos e até serviços como cópias em CD e DVD das antigas fitas cassete e VHS. ''Esperávamos uma adesão maior, mas para a próxima deve aumentar tanto que vamos precisar de um outro espaço'', planeja a síndica, que recebeu 17 inscrições de participantes.


