Nos dois 2,6 quilômetros que traçam a Avenida Maringá, na Zona Oeste de Londrina, o abundante comércio revela segredos que estão além das opções de compras. O que faz a via ser uma das principais da cidade também se deve aos ''boas-praças'' que vivem dela.
A camaradagem é tamanha que praticamente todos se conhecem, trocam experiências, ajudam uns aos outros e ainda arrumam tempo para jogar um pouco de conversa fora. É por esses e tantos outros motivos que a grande maioria nem pensa em se mudar de lá.
Mas é claro que existe um fator primordial que anima os comerciantes. Segundo o Sidney João dos Santos, proprietário de uma casa de carnes, fixada há 25 anos no meio da avenida, o movimento traz clientes de todos os cantos da cidade. ''O fluxo é intenso durante todo o dia e o açougue fica no meio do caminho de muitas pessoas'', acredita Santos, que também conta com uma boa ajudinha. ''A vitrine é boa e o cheirinho da carne assada chama a clientela'', revela.
Mas não são só os assados de Santos que abrem o apetite de quem passa pela via de dois sentidos. Para Heloísa Vilasboas da Silva, que é de Arapongas (Norte), o endereço é sinônimo de boa comida. ''Sempre passo por aqui, pois é uma das avenidas que mais conheço na cidade e porque tem muitos restaurantes, lanchonetes, sorveterias e bares'', diz.
Se para Heloísa, o endereço remete a programas gastronômicos, para Jairo Donato significa muito trabalho e dinheiro no bolso. Taxista há oito anos na Maringá, Donato admite estar em um dos melhores pontos da cidade. ''Muita gente pega essa avenida para ir para diversas localidades, principalmente ao Shopping Catuaí. Só tenho elogios a fazer'', justifica ele, que só consegue pensar em melhorias quando o assunto é tráfego. ''Se eu pudesse, duplicaria a avenida, que também seria de mão única. Assim, desafogaria em horários de pico'', explica.
Com um longo trecho que se inicia na Avenida Tiradentes e termina na Rua Professor Joaquim de Matos Barreto, a Maringá, logicamente, também possui de ''tudo um pouco'' em termos de comércio, mas nem por isso deixa de crescer.
Dono de um chaveiro há 18 anos, Donizete Aparecido de Oliveira lembra que em pouco mais de sete anos a via passou por grandes mudanças. ''O fluxo nem era comparado ao de hoje. O fato de abrirem a Avenida Ayrton Senna também estimulou o movimento, mas a grande novidade ficou por conta das lojas de móveis sofisticados. A Maringá virou um centro comercial, onde se acha de tudo'', comenta.
Como comerciante, Oliveira admite que são necessárias algumas mudanças no trânsito e na segurança. ''Acho que tinha que reforçar a sinalização e sincronizar os semáforos. Aqui tem muita colisão de carros, principalmente engavetamento'', diz.
Já como um grande defensor da avenida, Oliveira conta com orgulho que a amizade entre os comerciantes e clientes é a melhor recompensa. ''Aqui, é como se fosse uma grande vizinhança, onde todos se conhecem e se ajudam. Não trocaria de endereço por nada'', afirma, sorridente.

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