Vizinhança solidária
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Em uma pacata rua do Jardim Santa Rita 4 (Zona Oeste de Londrina), a expressão ''política da boa vizinhança'' tem significado literal. Desde que o bairro nasceu, há quase 20 anos, a pouca rotatividade dos moradores e o bom entendimento entre eles incentivou o surgimento de um grupo muito unido de vizinhos.
Amigos de longa data, eles compartilham mais que os muros entre as casas. Boas notícias, momentos de tristeza, pequenas tarefas do cotidiano e até mesmo quitutes acompanhados do tradicional cafezinho são divididos. O entrosamento chama a atenção numa época em que o contato pessoal e a sociabilidade perdem espaço para a comunicação via internet e o individualismo.
''Aqui na rua, todo mundo cuida das crianças. Se eles estão brincando, sempre tem um vizinho olhando'', disse Vanda Lopes Bonin que, com a ajuda das vizinhas Luciana Alves de Lima Ferreira e Silvana de Aquino Silva, cuida do filho de uma outra vizinha que fica sozinho, à tarde. ''A gente sempre chama para saber se está tudo bem. Se alguém bate no portão, uma de nós vai ver quem é, para ter certeza de que não há perigo''.
Amigas desde antes do nascimento dos filhos, elas tornaram-se comadres após a chegada dos rebentos. O parto de uma das crianças de Wanda, aliás, teve colaboração da família de Luciana. ''Estávamos sem carro, na época, e o marido da Luciana nos levou ao hospital enquanto ela ficou em casa com meu filho mais velho'', recorda.
Compromissos escolares são assumidos em parceria. Se uma das mães leva as crianças ao colégio, a outra busca, ocorrendo o mesmo nas aulas de balé das meninas. A troca de vasilhas recheadas de guloseimas também faz parte do dia a dia. ''Se alguém faz algo diferente, leva para os outros experimentarem'', conta Silvana.
Aniversários, churrascos ou almoços mais caprichados são sempre motivo para reunir os amigos em torno da mesa. ''A gente prefere convidar os vizinhos aos parentes. Os familiares entendem que a convivência entre nós é próxima e não sentem ciúmes'', garante Wanda.
Quando um dos vizinhos quer conversar, aliás, a ''senha'' é sentar nos tocos de troncos de árvore em frente à casa de Luciana. ''Logo aparece alguém para bater papo. Aqui não tem vizinho ruim'', afirma ela. Os troncos também são ponto de encontro para os maridos, que costumam jogar futebol aos sábados e depois confraternizam-se em frente à casa. ''Teve uma época em que fizemos aula de dança de salão e saíamos para dançar'', relembraram.
Convictas de que a solidariedade é fundamental para facilitar a rotina, elas acreditam que a preocupação única com os próprios afazeres é que afasta as pessoas e impede o relacionamento pessoal. ''Falta de tempo não é desculpa para o individualismo'', resumiu Wanda.


