Vizinhança não suporta mais esgoto que corre a céu aberto
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terça-feira, 05 de novembro de 1996
Lúcio Horta 
Muita sujeira, mau cheiro e até sangue estão subindo pelo esgoto que passa pela rua Amélia Abid, em frente à avenida Brasília (BR-369), próximo ao Grêmio Literário (zona leste). Segundo o vigilante da Embraseg, Rogério Damião Cruz, que cuida do depósito da Receita Federal bem em frente ao local, a situação se arrasta há pelo menos três meses, mas até agora ninguém tomou uma providência. Além da sujeira, o asfalto que comporta a tampa de ferro da Sanepar rachou, aumentando ainda mais o vazamento.
Quando chove, a água transborda e fica pelo menos duas horas vazando, formando um rio em frente à rua, afirma o segurança. A sorte é que o vento sopra na direção do centro e livra a gente um pouquinho do mau cheiro. O sangue, segundo ele, pode ter origem num frigorífico instalado a poucas quadras do local.
Se para o vigilante o vento ajuda, para clientes e funcionários da loja Carretruck - que funciona um pouco mais à frente, também na BR - acaba atrapalhando: a loja é a primeira vítima do cheiro insuportável que sai pelo esgoto. Quem está sendo prejudicado somos nós. E quando passa um caminhão ou veículo grande, a roda passa pela água e joga tudo dentro da loja, afirma o proprietário da Carretruck, Salvador Cássio Gioia.
Segundo ele, a Sanepar já esteve no local várias vezes e alega que o problema é na tubulação do esgoto, do outro lado da pista. Eles disseram que em último caso podem até interromper a pista (BR-369) para acertar a situação.
A reclamação também foi encaminhada para a Autarquia Municipal da Saúde, Vigilância Sanitária e Autarquia do Meio Ambiente (AMA), segundo o secretário de Saúde, Promoção Social e Segurança do Trabalho do Sindicato dos Vigilantes de Londrina, Laurentino dos Santos Paulista. Ele diz que encaminhou os ofícios alertando sobre os riscos que o esgoto entupido pode estar causando para a saúde da população que mora ao lado. Até agora não obtive nenhuma resposta, afirma o sindicalista.
O superintendente regional da Sanepar, Paulo Kishima, explica que o problema no local deve ter sido causado por entupimento no poço de visita do encanamento e agravado com a água da chuva. Ele acrescenta que isso acontece geralmente por mau uso do esgoto, quando são jogados na tubulação pedaços de plástico, madeiras e outros objetos.
Kishima não acredita que o sangue possa estar subindo pelo esgoto, como foi mencionado. Talvez seja corante, parece que tem uma lavanderia próxima do local. Mas vamos verificar. Ele garante que hoje mesmo uma equipe da Sanepar estará no local tentando resolver o problema definitivamente.
O superintendente da Sanepar também não acredita que seja necessária a interrupção da pista para acabar com o entupimento. Ele não soube explicar, no entanto, sobre a demora no atendimento, já que há pelo menos três meses a situação permanece igual. Recebemos cerca de 30 reclamações diárias de vazamento de esgoto. Mas, se a reclamação foi feita há tanto tempo, já era para ter resolvida pelo menos parte dela.


