Kraw PenasDócilJoel Castanho, adestrador, a filha e um cão Mastin como o que matou Costa: ‘‘Toda vez que um cachorro erra, pode ter certeza de que o homem errou antes’’O cão da raça Mastim Napolitano que matou a dentadas o dono, Joaquim Nascimento Costa, de 44 anos, no sábado, no bairro Vista Alegre, em Curitiba, não o teria atacado se não fosse constantemente maltratado. Costa foi atendido pelo Siate e morreu ao chegar no Hospital Evangélico. Segundo o adestrador de Mastim e Pastor Alemão Joel Castanho, nenhuma raça é perigosa a menos que haja um mau cruzamento, um trabalho errado de adestramento ou que o cachorro não seja bem tratado. ‘‘Toda vez que um cachorro erra, pode ter certeza de que o homem errou antes’’, disse ontem o adestrador.
Joel Castanho havia recebido, até as 16 horas de ontem, 20 telefonemas de pessoas que procuravam um cachorro assassino. ‘‘Eles viram o que ocorreu com Costa e me pediram um Mastim, pensando que ele era um cão agressivo. Quando falava que ele não era, as pessoas desistiam’’, disse. Segundo ele, o Mastin Napolitano é uma raça ‘‘equilibrada e dócil’’.
Segundo a secretária Francine Lopes de Oliveira, uma das vizinhas de Joaquim Costa, ele batia muito em seus oito cães. No sábado, Costa estava capinando a grama e teria batido com o cabo da enxada no Mastim Napolitano. O cão reagiu e matou o dono. ‘‘Bater é uma coisa, espancar é outra. Costa espancava seus cachorros’’, diz Castanho. ‘‘O cachorro vê o dono como um amigo, mas, se é espancado, perde o respeito e uma hora acaba revidando.’’
Os vizinhos ouviram os gritos de socorro, subiram no muro e jogaram pedras no Mastim para tentar afastá-lo de Costa, mas não conseguiram. ‘‘Ele dizia que seria pior se continuássemos a machucar o cachorro, pediu que entrássemos e garantiu que ele não nos morderia, mas ficamos com medo’’, diz Francine.
Uma fêmea mestiça de pastor alemão também teria atacado Costa. A polícia matou com 14 tiros o Mastim, a fêmea e dois filhotes grandes, antes de socorrer Costa.
O Mastim Napolitano já havia atacado um homem da vizinhança, que só escapou porque caiu numa valeta, segundo Francine. Os vizinhos dizem que tinham medo porque Costa saía com o cachorro e dizia que ele era bravo e atacava o pescoço das pessoas. As pessoas da região também não gostavam de passar pela frente da casa de Costa porque não havia portão na residência. Há dois anos, os vizinhos fizeram um abaixo-assinado e registraram queixa no 3º Distrito para que os cães fossem retirados de Costa.

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