Vizinha acolhe filho de mulher dependente
O curto período de 48 horas entre o internamento das gestantes e a alta nem sempre é suficiente para que os profissionais da Maternidade Municipal identifiquem e encaminhem as dependentes e seus filhos. ''Infelizmente, é possível que muitas mães usuárias de drogas tenham deixado a maternidade antes que pudéssemos interferir'', afirmou a assistente social Luciana Cortez.
É este o caso de um bebê que, nascido com desnutrição, refluxo e candidíase, encontrou abrigo na casa de uma vizinha da mãe num bairro carente de Londrina. ''Ele tinha pouco mais de um quilo quando saiu do hospital. A mãe dava o peito, mas usava muita droga'', conta a mulher. ''Todos achavam que ele ia morrer.''
Os avós maternos, que já cuidam de outros irmãos do bebê, não tinham condições financeiras de receber mais um neto. ''Eles também não queriam dar para adoção, por isso, acabei ficando'', contou ela, acrescentando que o recém-nascido passou várias semanas sem registro de nascimento. ''Os avós levaram para registrar e depois me devolveram.''
Aos quatro meses, a criança ganhou bastante peso, recuperou-se das doenças e tem sido acompanhada na unidade de saúde do bairro. ''Os pais passam o tempo usando drogas e não procuram o filho. Cheguei a aconselhar a mãe, mas o que a gente fala não entra na cabeça dela'', lamentou.
Lisnéia Rampazzo, psicóloga da maternidade, explicou que o grau de dependência química da mãe costuma ser inversamente proporcional ao investimento emocional que ela faz na gravidez. ''Se a gestante é muito dependente, a criança não é prioridade na vida dela.''
Para o bebê, a falta de um referencial de cuidador gera o sentimento de desamparo, que acaba sendo amenizado quando ele é inserido em um novo ambiente de cuidados, seja com familiares ou na adoção. ''No caso de ser adotado por uma nova família, recupera-se o prejuízo da falta de referencial materno.''
A psicóloga considera que a doação da criança para a adoção é também um ato de amor da mãe biológica.''Ao reconhecer a falta de condições de cuidar do filho e abrir mão da criança, ela está pensando no bem estar do bebê.'' (C.A.)





