Viviane se adapta e já aprendeu a ler
Ela nasceu em São Paulo, tem 11 anos de idade, e mora em Londrina desde 1996. Dentro do uniforme da Escola Municipal Suely Ideriha, em tudo ela se parece com as outras 25 crianças tidas como normais que cursam a 2ª série, inclusive na pequena aversão que tem pela matemática. Viviane Rodrigues Borges é portadora da Síndrome de Down, doença genética caracterizada pela presença de um cromossomo a mais nas células e que produz um variável grau de atraso no desenvolvimento mental e motor.
Ela está aprendendo no tempo dela; vai meio lentamente, mas vai caminhando e se desenvolvendo a cada dia. Ela já lê e escreve muito bem. E o que é melhor: está muito feliz com a professora, com os coleguinhas e o ambiente na escola, que lhe dispensa um ótimo atendimento, afirma a mãe de Viviane, a confeiteira Maria Aparecida Rodrigues Borges.
Segundo ela, a mudança para Londrina - depois da separação do ex-marido - foi fundamental na vida de Viviane, que tem outros dois irmãos menores e normais. Na capital paulista, além das dificuldades normais do dia-a-dia para toda família, a Viviane não encontrou escolas de bom nível como aqui. Lá, ela frequentou até escola especializada no ensino para portadores de Down. O resultado foi ruim, minha filha chegou a regredir, comenta Maria Borges, lembrando que havia dias em que as duas eram obrigadas a tomar oito ônibus, para ir e voltar de clínicas e da escola.
Viviane é a única aluna portadora de deficiência atualmente matriculada na Suely Ideriha, escola de madeira que funciona há 30 anos no conjunto habitacional Vitória Régia (zona leste), o mais antigo da Cidade. Ela possui 217 estudantes, nas 9 salas de 1ª à 4ª série. Estou muito contente aqui. Estou lendo, escrevendo, fazendo contas e aprendendo tudo direitinho. Gosto muito desta escola e de meus amigos de sala, ressalta Viviane, que estuda no período vespertino.
Nas manhãs, ela faz fisioterapia em uma clínica especializada pertencente a entidade assistencial e frequenta gratuitamente uma escola particular de computação. A Viviane se adaptou rápido aos demais alunos da sala, e está se desenvolvendo muito bem, acima de minhas expectativas iniciais. É lógico que a aprendizagem dela é mais lenta, mas eu cheguei a pensar que ensiná-la seria mais difícil, afirma a professora Luzineide Ribeiro Buss.
Formada em Letras e sem especialização para trabalhar com crianças portadoras de deficiências, ela diz que o fato de ter uma filha com 7 anos de idade lhe facilitou no relacionamento com Viviane. É claro que, de certa forma, a minha experiência de mãe de uma menina é transferida em parte para a sala de aula. A integração da Viviane com todos da sala é excelente. Estamos num ambiente de harmonia, e os resultados são muito bons para todos os alunos e para mim também. Estou satisfeita e feliz com a possibilidade de desenvolver este trabalho.Celso PachecoDesempenhoViviane Rodrigues Borges, com 11 anos, é portadora de síndrome de Down. Matriculada numa escola regular, prova que é possível obter desenvolvimento ao lado de crianças normaisOsmani Costa





