Viver sem televisão
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2003
Vânia Moreira<BR>Equipe da Folha 
Umuarama - Desde a mais tenra infância, Maria Tereza convivia com o aparelho de televisão. A TV sempre esteve lá ocupando o maior espaço da estante da sala, ao alcance da mão. Foi trocada, duas ou três vezes, por um modelo mais novo, mais moderno, mas era só fazer a substituição e lá estava de novo, funcionando normalmente. Maria Tereza acostumou-se a almoçar com os pais ouvindo o noticiário do meio-dia. À noite, às reuniões em família na sala eram sempre acompanhadas pelos telejornais, novelas, filmes ou programas de auditório.
Ela nunca havia se dado conta da importância daquele aparelho na sua vida, no seu dia a dia, até precisar se livrar dele. Uma reforma na casa deixou a família sem poder assistir TV durante três dias. No primeiro, tudo bem. A partir do segundo, Maria Tereza sentia como se tivesse deixado de fazer algo muito importante, como se estivesse fora do mundo. Seu cotidiano não havia se alterado e ela não conseguia explicar aquela sensação estranha.
Foi somente no terceiro dia que a ficha caiu. Estava se sentindo fora do mundo porque não podia ligar a TV. Apesar de estar lendo jornais, revistas e ouvindo rádio, nada parecia substituir aquele aparelho que a qualquer hora do dia ou da noite trazia para dentro de sua casa o mundo com todas as suas imagens em movimento, sons e cores. No quarto dia, a TV pôde enfim ser religada e tudo voltou ao normal.
A amiga riu muito quando Maria Tereza comentou sobre a ''tortura'' de ficar três dias sem ver televisão, mas ela própria nunca havia ficado um dia sequer sem dar uma espiada na telinha. A única exceção foram algumas horas por falta de energia elétrica. Maria Tereza a desafiou a desfazer-se do aparelho e testar a resistência. É o que vem tentando fazer com todos os amigos, para provar que a televisão é um vício da vida moderna e que ninguém consegue ficar sem a TV sem se sentir fora do mundo. ''Ainda vou fazer uma pesquisa sobre isso'', garante.


