''Digo que é seguro morar próximo aos aeroportos, baseado tanto na evolução técnica das aeronaves como na evolução da formação dos recursos humanos que operam a aviação'', garante com todas as letras Humberto Cavalcante Marcolino, coronel da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB), agente de segurança de voo e presidente do Aeroclube de Londrina.
Ele atesta que a tecnologia embarcada nos aviões evoluiu de tal forma nas últimas décadas que dá aos pilotos a garantia de decolar e aterrisar com segurança. As aeronaves, explica Marcolino, são dotadas hoje de uma série de equipamentos que permitem antecipar, por exemplo, eventuais problemas nas turbinas e antever condições meteorológicas adversas que possam colocar em risco a segurança do voo.
Diante das mudanças, não se exige mais dos pilotos que sejam corajosos e destemidos como precisavam ser no passado para enfrentar o pioneirismo que era pilotar um avião. ''O piloto hoje é um gerenciador de riscos e dispõe de toda a tecnologia necessária para isso'', comenta o especialista.
Também em solo, as condições de infraestrutura contribuíram para melhorar a segurança. Ao contrário do passado, as torres de controle monitoram praticamente todo o voo e podem trocar informações com a tripulação.
Sobre o Aeroporto de Londrina, Marcolino considera que as condições da pista, de equipamentos e do entorno, ainda que seja densamente urbanizado, permitem uma operação com segurança, mesmo ante a falta do ILS - equipamento que permite pousos e decolagens em situações climáticas adversas. ''Existe ainda um preconceito muito grande em relação ao modal aéreo que hoje não é mais verdade que seja só para rico, de luxo. Ele é para todo cidadão. A aviação começou com o brasileiro Alberto Santos Dumont, que imaginava o avião como uma forma de integrar e aproximar as pessoas. Devemos continuar perseguindo estes ideais'', conclui o aviador. A reportagem procurou a administração da Infraero, mas até o fechamento não obteve retorno. (L.A.)

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