Viver e não ter a vergonha de ser feliz
Londrina - Entre um emprego novo e o nascimento de um bebê tão esperado, a história da professora aposentada Edna Hermeto dos Santos também merece todo o mérito de ser contada, pois no ano em que ela completaria 60 anos muitos sonhos tiveram que ser adiados.
Logo no início de 2013, um fato atrás do outro fizeram com que sua "planejada" festa de aniversário ganhasse um versão mais íntima, só com a família. Na mesma semana em que um sobrinho muito próximo chegou à beira da morte, Edna descobriu um câncer no colo do útero. "Justo eu, que achava que coisas ruins não aconteceriam comigo", desabafou.
Da consultório para casa, o susto se misturava com a consciência de que mudanças radicais aconteceriam em sua rotina. "O pior é que entre a cirurgia e o início do tratamento de quimio, radio e braquiterapia, minha mãe que morava comigo há sete anos faleceu e, um mês depois, perdi um irmão. Ou seja, foi um acontecimento atrás de outro. É uma sensação de impotência enorme, mas eu busquei forças. Tem uma canção que diz fé na vida, fé no homem, fé no que virá", revelou.
Foram meses de tratamento, indisposição para tarefas diárias e lazer, além de restrição alimentar. "Aprendi que tenho que lutar por mim. Me dispor a encarar o que estava acontecendo e ir em frente. Então, meus 60 anos foram marcados de outra maneira, que nunca imaginaria", completou.
Depois de tanto esforço e a ajuda essencial da família, Edna se redescobre uma nova mulher. A poucas semanas da virada do ano, ela retornou ao consultório e recebeu a melhor notícia de 2013. "Descobri que estou curada, que posso retomar a vida normalmente. Tive grandes aprendizados nesse período, por exemplo, me alimentar melhor, mas o ganho maior foi meu amor próprio. Agora não tenho medo, nem vergonha de nada. Eu sou a número 1 para mim mesma. Se tem uma música que resume meu espírito agora é viver e não ter a vergonha de ser feliz, do Gonzaguinha", ressaltou.
Antes mesmo da chegada de 2014, os planos já estão traçados. Edna quer voltar a estudar e começar a escrever contos. E, assim como Roberta e Nicolas, vai entrar em 2014 com o pé direito e o peito aberto para uma nova vida. (M.O.)





