Os 23 meninos que moram na Chácara Padre Eduardo Michelis vivem como irmãos. Muitos, apesar da pouca idade, têm histórias de vida complexas e já enfrentaram dificuldades que outros nem podem imaginar. Após situações de violência, fome e descaso, eles sabem valorizar a oportunidade que têm hoje.
Marcel Carlos de Paula Moraes, 16 anos, foi morar na chácara há cinco anos, depois de viver nas ruas de Curitiba dos 9 aos 11 anos. Ele, que diz ter saído da casa dos pais porque ‘‘esqueceu da família’’, acha que as pessoas que vivem com ele e os cursos que pode frequentar são as melhores coisas do local. As drogas e a violência das ruas fazem parte de um passado que Marcel não quer viver mais. ‘‘Aqui é minha casa e eu estou feliz com o meu estudo e o meu trabalho na horta e na lavanderia.’’
Peterson do Amaral, 14 anos, está na chácara há três anos. Ele foi viver nas ruas da capital por causa das brigas com o pai adotivo. ‘‘Eu fui adotado porque minha mãe bebia demais, mas não deu certo’’, lembra. Para ele, as melhores coisas da chácara são a oportunidade de estudar e os amigos. ‘‘Aqui eu tenho uma família, uma casa, escola e lazer’’, diz. ‘‘Tenho tudo que eu não podia ter nas ruas.’’ (A.V.)

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