Vivendas do Arvoredo comemora sossego
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terça-feira, 19 de agosto de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Dados os índices atuais da violência em Londrina, podem ser considerados raros os bairros onde circulam poucos carros, as crianças brincam na rua até tarde e os roubos são raros. Os moradores do Conjunto Vivendas do Arvoredo, na zona sul, sabem bem como é essa realidade. O bairro, criado há cerca de 20 anos, tem um total de 120 casas e seu dia-a-dia é tão sossegado que as ruas do local lembram o movimento das menores cidades de interior.
O desempregado Jonas Laudon Turrissi se mudou para o Vivendas há 20 anos, pouco depois da inauguração. ''Uma qualidade do bairro é a segurança. Acho que, por ser longe do centro, não acontecem muitas ocorrências. No máximo tem um roubo aqui, outro ali'', diz ele.
O gráfico José Dimas Ramos Costa mora no bairro desde 1986 e conta que o Vivendas foi planejado para ser moradia de funcionários do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). ''O local seria uma espécie de colônia, mas por alguma razão não venderam muitas casas. Aí, a Caixa (Econômica Federal) assumiu o empreendimento e refinanciou os imóveis. Com isso, muita gente se mudou pra cá'', lembra.
Ao longo destes 20 anos, a região se desenvolveu. No final da Avenida Harry Prochet, no cruzamento com a PR-445, foram abertos condomínios horizontais, e outro foi inaugurado há dois anos nos fundos do Vivendas. A área recebeu o Shopping Catuaí, um conjunto de centros de estudos da Universidade Norte do Paraná (Unopar) e o Carrefour. Algo distante dos primeiros anos do bairro.
''Antes, o final da Harry Prochet era mal iluminado, o (Conjunto) Cafezal e o (Parque) Ouro Branco não eram tão grandes assim. Acho que a região inteira se desenvolveu com Londrina, que hoje não tem muito mais para onde crescer, o que estimula a região sul'', acredita Costa. Ele concorda que a maior qualidade do bairro é a segurança.
''Aqui é quase um condomínio fechado. Antes, tinha praticamente só uma entrada e saída, o que possibilitava que os próprios moradores vigiassem o bairro. Recentemente, abriram outra saída, mas não mudou nada. Nunca tentaram roubar a minha casa'', garante Costa. Mas o excesso de sossego às vezes atrapalha. O bairro não tem muitas opções de lazer além de uma praça sem quadra de esportes, e são poucos os estabelecimentos comerciais. Carro é item obrigatório.
''Essa falta de opções foi quase uma escolha, eu acho. Porque comércio atrai movimento, agitação. E os moradores sempre quiseram que o bairro fosse uma região sossegada'', diz Costa. O comerciante José Antônio Rodrigues fechou há cinco meses um sacolão no Jardim Califórnia (zona leste) para abrir o único bar e mercearia do Vivendas. O movimento anda fraco. ''À noite, ainda melhora, porque vem gente da cidade, mas o pessoal sempre procura o local mais próximo de sua casa. Aqui, como são poucas pessoas...'', lamenta.


