Uma das explicações para uma sociedade tão intolerante como a nossa é a impulsividade. ‘‘Estamos vivendo na era da atuação por impulso. O ganho de prazer e a descarga da frustração têm que ser imediatos’’, diz o psicoterapeuta Marcelo Castro. ‘‘É tolerância zero para qualquer tipo de frustração: tem que ser o celular mais moderno, o videogame mais caro. Temos crianças que não agüentam esperar pela hora do recreio, adolescentes que não fazem poupança para trocar de celular e adultos que não pensam antes de entrar em um novo negócio’’. Nesse sentido, segundo Castro, o adulto que incendeia o próprio carro não é muito diferente da criança que faz birra porque não quer emprestar o brinquedo para o amiguinho.
  Outro aspecto citado pelo especialista é o declínio da potência paterna. A figura do pai tem a função de colocar limites e disciplinar. Esse função, na sociedade, é exercida pelas autoridades constituídas. ‘‘Quase todas as figuras que representam a lei, na nossa sociedade, são corruptas. Assim, as pessoas não respeitam nem mesmo a lei’’. O psicoterapeuta explica que há uma quantidade enorme de adultos ‘‘birrentos’’ que não conseguem suportar a frustração, agem impulsivamente porque está na moda ser impulsivo e não têm medo da punição, porque ela não existe.
  Ele usa o exemplo do comportamento de alguns residentes do Hospital Universitário, que colocaram comentários maldosos a respeito dos funcionários em uma comunidade virtual chamada Orkut: ‘‘Que falta de pudor! Eles não se preocuparam com a imagem que iriam deixar, nem com a perda de respeito do outro, e de si mesmo’’, comenta.
  O terapeuta garante que não existe uma receita para não explodir. Além disso, Castro afirma que explodir, de vez em quando, é saudável. ‘‘Às vezes, é preciso uma dose de força para impor limites. Quem tem que ter cuidado é quem está constantemente gritando, quem usa sempre o grito como último recurso e quem perde o controle com freqüencia. Aí, é patológico’’.(P.F.)

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