Jaccklin St. Cyr com os filhos Jaismaela e Jaismael: carinho e cuidado
Jaccklin St. Cyr com os filhos Jaismaela e Jaismael: carinho e cuidado | Foto: Gina Mardones



Rolândia - Outro haitiano que mora em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina) e que enfrenta dificuldades é Jaccklin St. Cyr, 31, que trabalha em um frigorífico no município. A mulher dele, de 27 anos, deu à luz gêmeos (Jaismael e Jaismaela) no dia 5 de março, e faleceu um mês depois. Ele explica que por enquanto tem conseguido custear as despesas com as doações que recebe. Parte do salário destina a duas amigas haitianas, que se revezam no cuidado com os bebês enquanto ele trabalha.

No dia da entrevista à FOLHA, assim que ele chegou à casa da amiga, pegou os bebês no colo e logo um sorriso se abriu. Demonstrando muito carinho com os gêmeos, ele garante que fará de tudo para cuidar dos filhos, que ele vê geralmente no período noturno.

St. Cyr tem destinado uma parte de seu salário para as amigas. Uma delas, porém, deixará de cuidar das crianças porque conseguiu um emprego. "Cheguei aqui em agosto de 2016 e desde então estava procurando emprego. Consegui um agora, para trabalhar em um frigorífico", destacou Marie Meus, 30, que trabalhava em um parque industrial em Porto Príncipe, no Haiti. "Minha casa caiu no terremoto. Lá já não tinha mais trabalho e tive de imigrar para o Brasil."

A outra babá, Kerli Gaspar, 27, está com muitas dificuldades de conseguir emprego. Ela chegou em novembro de 2017. No Haiti dedicava-se apenas aos estudos. "Para vir ao Brasil foi muito difícil conseguir o dinheiro da passagem e o visto." Ela revelou que sem a ajuda dos amigos não sobreviveria.

ASSISTÊNCIA SOCIAL
A diretora da secretaria de Assistência Social de Rolândia, Fernanda Buranello, afirma que não há uma política específica de atendimento para o haitiano. "Nós temos os serviços do Cras (Centro de Referência de Assistência Social),
que é a porta de entrada da política de assistência social. A partir dele avaliamos qual a necessidade de cada um, se é acolhimento para o mercado de trabalho ou alimentação. Mas não tem distinção de atendimento entre um brasileiro e um haitiano", ressalta.

Buranello destaca que não há dificuldades relacionadas à barreira da língua. "Muitos falam português. Os que não falam, geralmente possuem um amigo que consegue falar o nosso idioma. O haitiano não anda sozinho. É possível vê-los sempre andando em grupo. Em consulta médica também sempre há um deles que fala em português. A gente acaba se entendendo."

Ela destaca o fato de Rolândia ter como uma das características a acolhida a estrangeiros. "É uma cidade com colonização forte germânica, japonesa e italiana no início da cidade e agora temos indianos, bengali e haitianos nessa imigração recente no município. Isso acontece por termos várias fábricas que funcionam 24 horas. A gente sabe que tem mulheres desses haitianos que trabalham fora do município. Algumas delas recentemente fizeram curso de capacitação de camareira."

A gerente da Agência do Trabalhador do município, Ana Paula Pereira da Silva, também ressaltou que o atendimento no local é igualitário, independentemente da nacionalidade da pessoa. "A gente só faz um cadastro diferenciado por conta da documentação, pois aceitamos a carteira de trabalho de estrangeiro."

Segundo ela são atendidos em média 400 estrangeiros por mês. "A maior parte das vagas é para a linha de produção dos abatedouros, mas muitos pedem a escolaridade e esses haitianos não têm como comprovar, porque não trazem a documentação de lá. Orientamos eles a procurar a EJA (Educação de Jovens e Adultos)."

SERVIÇO – Quem quiser ajudar a família pode ligar para (43) 99955-0342 ou procurar a Cáritas – fone (43) 3338-7252

Cáritas e Pastoral trabalham juntas

A Cáritas Arquidiocesana de Londrina viabiliza o direito de permanência no País dos imigrantes por meio da solicitação do pedido de refúgio, bem como facilitar sua adaptação através do acompanhamento da Pastoral do Migrante. Na Pastoral, instituição da Igreja Católica, há sempre uma grande procura em relação a documentação, direcionamento para cursos profissionalizantes, escolas, encaminhamento para o mercado de trabalho e até mesmo o mais básico, alimentação.

Irmã Inês Facioli, da Pastoral do Migrante, afirma que a Cáritas e a Pastoral do Migrante trabalham juntas. Ela relata que desde 2017 vem aumentando os haitianos na região de Londrina. "Aqueles que chegaram em 2014 e 2015 só agora que estão tendo oportunidade de trazer esposa e filhos."

Por causa do aumento de haitianos, a religiosa aponta que está ficando mais difícil conseguir emprego. "Diante da crise e da dificuldade que os brasileiros enfrentam, as necessidades também aumentam. A família precisa arcar com as despesas de alimentação, aluguel e material escolar para as crianças."

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