O Movimento das Viúvas Credoras do Instituto de Previdência do Estado (IPE) vai protocolar no próximo mês, na Assembléia Legislativa, um pedido de impeachment do governador Jaime Lerner (PFL). As viúvas pretendem reunir cerca de 100 mil assinaturas para tentar instaurar uma comissão processante que termine na cassação do mandato de Lerner, apoiado pela maioria dos deputados da Casa. O governador é acusado de não pagar R$ 54 milhões em precatórios (dívidas decorrentes de sentenças judiciais) para as pensionistas.
Na tarde de ontem, um grupo de 20 viúvas organizou um protesto no calçadão da Rua XV de Novembro, no centro de Curitiba. Elas saíram da Boca Maldita numa passeata que teve a participação de catadores de papel. Nos seis carrinhos cobertos com lona preta, 177 cruzes de madeira eram ostentadas com os nomes de pensionistas que morreram sem receber os precatórios. Na frente e no final do cortejo, dois caixões eram carregados com as seguintes inscrições: ‘‘aqui jaz o governador Jaime Lerner já vai tarde’’.
‘‘Tinha que vender ele (Lerner) para os Estados Unidos, assim como fizeram com o banco’’, protestou a aposentada Teodomira Castro Vargas, 70 anos, numa referência à privatização do Banestado, ocorrida ontem. Teodomira disse que espera receber do governo, há dez anos, cerca de R$ 60 mil. Dinacir Teixeira Correa, 62 anos, disse que precisa dos R$ 100 mil em precatórios para cuidar do filho portador do vírus HIV. ‘‘Com o dinheiro, eu também quero fazer um tratamento de saúde.’’
A assessoria de Lerner criticou a manifestação. O porta-voz do governador, Hudson José, disse que as viúvas só têm aparecido em período eleitoral. ‘‘Em todo o processo eleitoral, elas voltam. Já foi assim na eleição passada’’, declarou. Hudson José respondeu que o governador nunca se recusou em pagar. ‘‘Não é porque o governador não quer. O Estado está buscando pagar, mas na medida em que exista dinheiro em caixa.’’