Sid Sauer
De Campo Mourão
A Polícia Civil de Goioerê (67 km a oeste de Campo Mourão) localizou anteontem os restos mortais do agricultor José Onofre da Rosa que, segundo a família dele, foi morto com um golpe de machado na cabeça em 1974. Os ossos de Onofre foram encontrados num buraco de cerca de 1,80 metro de profundidade, uma fossa desativada nos fundos da casa onde o agricultor morava com a família, no Jardim Santa Casa.
A descoberta do crime só aconteceu porque a viúva de Onofre, a dona de casa Joana de Oliveira Rosa, 62 anos, procurou a polícia no mês passado para revelar o assassinato. Ela disse que o marido, na época com menos de 40 anos, foi morto pelo filho mais velho do casal, Luiz da Rosa, então com 17 anos. Joana contou que foi ameaçada pelo filho e que o ajudou a jogar o corpo na fossa. Ela não lembra o dia e o mês do crime, mas garante que foi em 1974.
Segundo a dona de casa, os outros seis filhos dela eram pequenos na época e não viram nada porque estavam dormindo. Onofre foi morto deitado no sofá da sala por volta da meia-noite. Com o passar dos anos, outros filhos foram descobrindo a verdade sobre o desaparecimento do pai, mas não quiserem entregar o irmão. Alguns dos filhos só ficaram sabendo do caso quando Joana procurou a polícia.
A viúva disse em depoimento que sempre era ameaçada pelo filho para não revelar a verdade à polícia. Atualmente morando em Londrina com uma das filhas, Joana voltou a Goioerê somente para relatar o caso à polícia. Ela disse que o filho também já ameaçou matar um irmão depois que a mãe morrer. A dona de casa trata de um câncer há três anos e contou que precisava esclarecer a verdade antes de morrer.
De acordo com ela, o filho teria matado o pai apenas porque se sentia rejeitado. Luiz Rosa, o filho acusado, está hoje com 42 anos e mora em Ji-Paraná (RO), onde é motorista. Ouvido pela polícia através de carta-precatória, ele negou a autoria do crime. Luiz disse que foi a mãe quem matou o marido e que ele só ajudou a esconder o corpo. Os ossos de Onofre foram enviados para o Instituto Médico-Legal (IML) de Campo Mourão.
A polícia de Goioerê vai aguardar o laudo do IML para decidir o que fazer. É que não existem registros oficiais do desaparecimento de Onofre. A família confirma que não procurou a polícia na época. Joana diz que se lembra apenas que o crime aconteceu em 1974, dois anos após a família ter chegado de Minas Gerais. Se o IML conseguir confirmar que a morte ocorreu há mais de 20 anos, não será aberto inquérito. Os crimes de homicídio prescrevem após 20 anos.

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